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Oleg é mais um filme que trata sobre o tema imigração e trata a realidade do protagonista de maneira objetiva, bem como trata o tema visualizado por ele nos demais personagens.
Durante todo o filme ficamos com um gostinho de "coitado, agora ele vai se foder demais" e isso não acontece na intensidade esperada. Acho que é nisso que o filme surpreende. Sempre que você acha que ele vai ter uma trajetória de dor dantesca, você se engana. Ele passa por um perrengue que poderia ser pior se visualizado por outros ângulos.
Esse tema sempre é triste e complicado de ser tratado. Nesse caso, observamos em Oleg um personagem com uma conduta um pouco mais passiva do que os amigos dele apresentados no início pareciam demonstrar. Totalmente compreensível, é claro, ao analisarmos as situações pelas quais ele passa e o medo constante de não possui mais uma identidade em um país estrangeiro e pelo receio de não conseguir ajudar sua avó (ou de perdê-la).
Pelos olhos de Oleg, somos apresentados a alguns grupos de personagens que são imigrantes e que destoam entre si. Ao passo que alguns, mesmo imigrantes, possuem são privilegiados, outros são obrigados a trabalhar em algo específico devido à condição do seu visto de trabalho.
Teria sido interessante se essa questão de imigração fosse abordada com mais profundidade e mostrasse melhor as disparidades vivenciadas por cada grupo étnico. Entendo que este não era o foco, porém acredito que teria feito o longa ser mais rico.
De um modo geral, o filme não é cansativo e muito menos pedante. Há filmes melhores no gênero, com certeza, entretanto, sempre conseguimos retirar algo de cada película.
Não tem como não se encantar pelo universo criado e mostrado em um espaço tão curto de tempo. A combinação perfeita criada pela paleta de cores adotadas no filme junto com atmosfera levemente de Primeira Guerra resultou em uma ambientação que remete ao steampunk e à literatura fantástica.
Neste drama é abordado a questão do amor como instrumento criador de raiva, inveja e dor. O amor aqui demonstrado de maneira românica, faz uma alusão aos clássicos que não punham o amor em pauta sem que este estivesse relacionado com o sofrer.
A narrativa é rápida e sucinta.Logo no início é posto à mesa o ritmo e história do curta.
Não posso dizer que me deixou maravilhado pois não consegui criar vínculo com algum personagem, entretanto, jamais direi que é ruim.
Um filme que não apresenta grandes reviravoltas, no entanto, o foco do filme não é esse.
O roteiro nos serve apenas um prato do começo ao fim mas servido de várias maneiras.
Agonia.
De forma sútil, o filme traduz tristeza, raiva e angústia na confusão mental que os personagens enfrentam.
Neste longa, a agonia sofrida pela mãe é evidenciada do começo ao fim, basta reparar em todas as fugas que ela apresenta ao longo da história: camuflando a aparência para parecer mais debilitada fisicamente do que está, fingindo que está dormindo para não ter que lidar com o filho, falando várias e várias vezes que precisa de muito repouso e que não pode ser incomodada...
No filho, a maior agonia é dada pela confusão mental em que criou-se a imagem do irmão já morto. Claro que isso pode ser tratado e visto de outra forma, mas não vem ao caso.
O mais interessante aqui é ver como as pessoas analisam como agonia somente a dor física apresentada após a metade até o fim, no entanto, até que ponto interpretamos apenas esses momentos como de extrema agonia? Será que é porque nos identificamos com a dor apresentada e por isso processamos isso dessa forma?
A agonia está presente o tempo todo, seja no silêncio, seja na confusão, seja no turbilhão.
Do pedante silêncio arrastado, passando pelas poucas informações apresentadas, Ich Seh Ich Seh, se enquadra no que ficou conhecido como pós-terror nos últimos tempos.
Não é uma perda de tempo assisti-lo. Não espere algum plot twist duplo carpado. Foque nas relações. Foque na constante busca por um personagem que é apresentada.