L. M.
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Últimas opiniões enviadas

L. M.
½
2 meses atrás

“Não há nada de novo sob o sol” foi o meu primeiro pensamento assistindo a esse filme, e mesmo assim, que experiência positiva! Com um orçamento de um salgado e um guaravita, Curry Barker consegue fazer um ótimo trabalho para contornar a falta de recursos. Com certeza vou procurar seus outros trabalhos mais tarde. Gosto bastante do jogo de luz, acho que realça não só as partes lidas como horror mas pode se argumentar que reflete o estado mental do protagonista.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Bear se recusa desde o início do filme a enxergar a vida como ela é. Seu amor não correspondido secretamente é uma parte de seu sofrimento. Enquanto sua história vai se desenrolando, é perceptível o que o filme tem a falar sobre relações pessoais e mortalidade. O protagonista cria uma persona para seu interesse amoroso, uma vez que seu maior medo é ser honesto com ela, e para ele isso significa um final, já que a resposta é incerta. E é mais fácil esconder seu amor por medo da rejeição do que lidar com o fato de que, na vida real, ninguém no mundo te deve nada, principalmente corresponder sentimentos que são apenas seus. O subtom dá o foco no passar do tempo porque geralmente isso quer dizer evolução e amadurecimento, criando oposição com as escolhas que o personagem faz.

Seu caráter duvidoso fica mais evidente quando seu medo se torna maior que seus princípios e Bear escolhe ficar junto com a Nikki enfeitiçada mesmo quando ele já sabe que não é ela de verdade. Ele escolhe viver uma mentira que agora já não é mais só sua, porque vem a custo do estado físico e psicológico de outra pessoa, e parece não sentir remorso sobre isso. O arrependimento chega tarde demais, só depois das consequências para si mesmo, o que deixa explícito o real interesse do personagem. Bear é um vilão perfeito porque consegue a simpatia de quem assiste à primeira vista e se coloca no lugar dele e porque discutivelmente seria vítima das circunstâncias: um graveto mágico que concede desejos e ensina uma lição à partir disso. Mas é verdade que se desde de o início ele não fosse covarde e procurasse contornar a situação do feitiço (talvez pela saída mais nobre), dois de seus amigos não teriam morrido no processo. Porém, ele prefere morrer como um covarde, nem sequer considerando o auto extermínio em primeiro momento porque mesmo imerso numa situação bizarra e causando um mal irreparável para outras pessoas, ele ainda consegue se considerar digno de pena, talvez até de perdão. Ele passa o resto de sua vida miserável no impasse de querer aceitar a mentira confortável, mesmo que isso não seja uma decisão só sua.

A Nikki verdadeira tem sua liberdade violada quando o feitiço é estabelecido. Como em outros clássicos do gênero, é indicado que ela passa a se enxergar de dentro, se tornando apenas uma espectadora da própria vida enquanto sente que seu corpo não a obedece mais, porém ainda consegue sentir suas dores. Ela passa por abusos e é obrigada a assistir sem direito a sequer suas próprias lágrimas, seus próprios sentimentos. Tudo que lhes resta é implorar pela morte em seus poucos momentos de lucidez. É um paralelo importante às relações contemporâneas e alfineta despretensiosamente a cultura da “friendzone”, um conceito sexista criado por pessoas como o Bear que não conseguem ser honestas consigo mesmas o suficiente para admitir que os sentimentos do outro são tão válidos quanto os seus e sobrepor um ao outro só pode resultar em uma das partes saindo machucada.

O filme tem uma ótima ambientação e fotografia que casam perfeitamente com a trilha sonora. É um suspense com horror que apesar dos efeitos simples, são facilmente superados pelo sombreamento e meia luz constantes. Acho que em algumas cenas os diálogos são um pouco cansativos e em outras mais realista. Destaque para a performance de Michael Johnston por conseguir expressar tão bem o personagem que a vontade é entrar na tela e sair no soco com ele. A cena do dinheiro caindo do céu (ou teto?) é muito ridícula, não consegui achar engraçado e me dá um pouco de vergonha. Passa a impressão que ainda não estavam certos sobre o exato tom da obra. Enfim, a forma supera o conteúdo e o filme é muito bom num geral - me deixou obcecada. Gostei bastante do final.

editado
L. M.
2 meses atrás

Uma perfeita comédia marciano-estadunidense

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Não tenho muito a falar sobre esse filme, porque não tenho muito a reclamar dele! “Marte Ataca!” é uma deliciosa comédia americana que sabe tirar sarro de tudo que envolve seu universo, inclusive a si mesma. Alguns podem dizer que esse filme é muito previsível ou tem um humor pastelão, o que eu argumentaria que é justamente seu ponto de genialidade. Logo na primeira cena já fica evidente que essa é uma daquelas obras que você ama ou odeia, o que nesse caso depende se as vacas flamejantes são o suficiente para fisgar sua atenção (meu caso) ou desligar a TV e fazer uma ligação emergencial para Luisa Mell.

Com uma dose de absurdismo e humor existencial, a cena da chegada não tão pacífica dos marcianos facilmente me lembra o tipo de aventura que Arthur Dent e seus colegas presenciariam. Assim como toda boa sátira estadunidense, mantém a tradição de apresentar um presidente nada brilhante, um romance impossível, um herói adolescente, e uma vovó mais pra lá do que pra cá que prova ser mais lúcida que todo mundo no final. Contando com a presença de um elenco ilustre, Tim Burton consegue capturar o espectador com muitas explosões, alienígenas mentirosos, efeitos sonoros espaciais genéricos e hipocrisia americana com uma boa dose de humor e visuais grotescos, porém viciantes.

Se você me perguntar, é um ótimo filme para ver chapado, sóbrio, em família, ou com seus amigos de outro planeta. ACK, ACK! ACK, ACK!

editado
  • Filmow 1 mês atrás

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