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Uma péssima sequência de F/X (1986), com um roteiro ruim, incompreensível, e cheio de pontas soltas. Além disso, há algo particularmente irritante, que foi ter encontrado na internet vários elogios, mas nenhum comentário sobre alguns dos aspectos mais absurdos.
Vou ignorar o plano super sofisticado, que consistia em induzir um sujeito a cometer um assassinato, só para que a morte do policial fosse atribuída a ele. Tudo isso com um objetivo relativamente simples: conseguir acesso ao apartamento desse policial, através de um mandado de busca e apreensão, para obter algumas informações sobre uma investigação antiga. Não seria mais fácil apenas invadir o apartamento? E o pior: deixaram que o Tyler entrasse no local, no momento da busca, e levasse justamente aquilo que os vilões procuravam.
Aliás, o policial morto é ex-marido e teve um filho com a atual namorada do Tyler. Mesmo assim, ambos parecem ser amigos a ponto de Tyler aceitar participar com ele de um plano arriscado. É uma relação muito estranha.
Também vou ignorar aquela fantasia clássica de pegar uma gravação e dar zoom na imagem até revelar perfeitamente o rosto do verdadeiro assassino.
Além desses e outros problemas ao longo do filme (a morte totalmente desnecessária da namorada do detetive), o que realmente é impossível de ignorar foi a parte final. Tyler guarda em sua mala alguns dos itens que ele usará para derrotar os bandidos: explosivos, purê de batata, éter e salsichas. Corta a cena, e Tyler está em uma mansão ligada à máfia, usando uma máquina para lançar as salsichas para distrair os cachorros (é claro que ele já sabia que teriam cachorros nessa mansão). Convenientemente, um dos capangas solta os cachorros da coleira para que eles seguissem uma rota até uma quadra de tênis e lá ficassem presos. Enquanto isso, Tyler se teletransporta para a parte superior da mansão e chama atenção desse capanga com flocos de neve. Ao se dirigir ao local para investigar, o capanga é abatido usando um spray de éter. E daí para frente seguem algumas cenas em que Tyler magicamente consegue utilizar alguns brinquedos e armadilhas nada convincentes para abater os demais capangas.
Tudo isso é ruim, mas, após algum esforço, consegue ser superável. Aquilo que realmente não dá para superar é que, no meio de toda essa confusão, surge um helicóptero sendo controlado (aparentemente) por um controle remoto. Além do absurdo de um helicóptero pilotado por controle remoto, no momento do pouso a cena mostra Tyler claramente dirigindo um cortador de grama, com nada em suas mãos. Então, quem está pousando o helicóptero? Sim. Há um palhaço no assento do helicóptero, mas não é o palhaço que está pilotando porque Tyler está sem aquela roupa especial. E todo esse plano absurdo e inverossímil dependia que os vilões não reparassem que haveria um palhaço de brinquedo no lugar do piloto do helicóptero.
Eu adorei o palhaço, aquela cena da luta usando ele foi muito boa, mas sua participação deveria ter acabado nesse ponto.
A reviravolta da promotora se tornando uma vilã também é absurda e desnecessária. O detetive descobriu antecipadamente que ela poderia estar comprometida porque o gato dela se chamava Sansão e isso remete a um codinome que havia surgido na investigação.
Nota 4
Durante dois terços, o filme é simplesmente um primor. O clima de suspense te mantém absorvido totalmente na trama, que se desenvolve de maneira formidável em um ritmo empolgante. Infelizmente, o terço final do filme desafia minha suspensão da descrença, e o final propriamente dito é ruim.
No início do filme havia um pequeno incômodo pelo fato da namorada dele ter sido assassinada e isso ter causado pouca ou nenhuma repercussão em seu estado emocional, mas isso é algo superável. Também causa estranheza que ninguém tenha suspeitado que que o corpo do gangster Nick DeFranco não seja realmente dele, já que a tentativa de assassinato era falsa. Eu sei que em algum momento eles haviam dito que colocaram o corpo de outra pessoa, mas isso soa forçado em se tratando de uma figura pública.
A cena de perseguição, embora bem conduzida, poderia ter um desfecho melhor. O policial interrompe a caçada ao pensar que atropelou uma pessoa (quando, na verdade, era apenas um manequim). O problema é que, nesse momento, a van de Tyler ainda estava a poucos metros de distância, o que torna incoerente a desistência repentina do policial após tanto esforço.
Essas são inconsistências que, embora perceptíveis durante a exibição, acabam sendo toleráveis.
Porém, a parte final em que Tyler usa de seus truques para liquidar uma meia dúzia de capangas é difícil de engolir. Mesmo sem conhecer o layout da mansão e carregando diversas bugigangas, ele se movimenta com grande facilidade, abatendo os inimigos de maneira pouco convincente e, para finalizar, consegue escapar do local indo parar em um necrotério ao se fingir de morto (eu sei que ele estava usando algumas próteses, mas mesmo assim é forçar muito).
Teria sido melhor o filme terminar nessa parte, mas ele avança para um cena final muito ruim e desnecessária, com o Tyler e detetive na Suíça ficando com o dinheiro do gângster. Acaba pesando contra os dois personagens, principalmente contra o detetive Leo McCarthy, que ao longo do filme havia se tornado um personagem carismático por ser um policial que até então mantinha sua integridade.
Um bom filme que, apesar de certos incômodos, consegue ser muito divertido.
Nota 7
Últimos recados
Salve, Thiago.
Saudações "filmísticas" de Goiânia
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Estamos diante de uma das maiores evidências de que a qualidade de uma obra está completamente dissociada de suas eventuais premiações internacionais. O filme é superestimado e exige uma extrema boa vontade do público para ignorar todos os seus defeitos, a começar pelo péssimo título, que não possui qualquer relação com a trama.
Embora seja excessivamente longo, é surpreendente que não tenham conseguido nem mesmo inserir um desfecho minimamente satisfatório para o roteiro, que fica cheio de pontas soltas.
O final é tão ruim que parece um erro grotesco de edição. Para piorar, colocar o próprio Wagner Moura interpretando o seu filho no futuro foi uma péssima escolha.
Contudo, há alguns pontos a serem elogiados, tal como o visual que simula com perfeição a estética setentista. A fotografia do filme é realmente muito bonita.
Tenho minhas críticas em relação ao cinema convencional hollywoodiano, mas a necessidade do filme ser minimamente agradável ao público para se tornar comercialmente viável ajuda a prevenir diretores pretenciosos de fazerem algumas porcarias.
Nota 5