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Bons filmes!
Equipe Filmow
Love Letter (1995) em sua cosmologia onírica, acomoda uma psique fragmentada pelo luto de sua masculinidade perdida e, dentro disso, articula uma lógica térmica como forma de transformação interna.
O principal significante onírico é a escolha da mesma atriz para interpretar as duas personagens, assim, fica fortemente estabelecido o vínculo e, em suas trocas de cartas: um diálogo interno visível. Vindo daquilo, do masculino perdido, dum acontecimento insuportável no feminino, tanto, que a doença da metade feminina interna é a mesma dele ou do pai falecido e, na metade externa, em torno dela, naquela neve relativa à psicogeografia da psique abalada pelo que foi perdido.
Nisso, uma lógica térmica é estabelecida, com o frio ligado a essa ausência e, o calor, conexão com isso que foi perdido, seja através de um novo homem ou na memória de tal, perdido, de qualquer forma, numa conexão com o masculino.
O resgate disso, é possibilitado através desse diálogo com o que há de mais íntimo, com essa descida consciente ao de mais intocado e inocente, se distanciando da dor do frio presente, de encontro com o que houve de mais ardente, ainda de forma fantasmagórica, mas presente.
Nesse espaço mais íntimo, no interior do mais sensível, temos o masculino-feminino vivo e, com isso, podemos testemunhar o masculino não desenvolvido, nele observado pelo prisma dominante do mais sensível, do feminino, como uma presença etérea, algo não fortemente definido. Tanto, que quando em disputa na corrida com o masculino: fraturado, tombando, caído; não seria o mesmo no alpinismo? O jovem eterno ainda numa disputa com o hierárquico do masculino e, na incapacidade disso, sucumbindo à montanha, ao símbolo, regressando, não mais apossado, personificado, dividido.
Nisso, gritar com a montanha ganha um novo sentido e, o eco dela, um outro sentido, é um diálogo consigo, com essas partes primordiais da alma, algo quase divino. O iluminar verdadeiro, é uma resposta do todo quanto a isso, do seu ser inteiro integrado, reconhecido, nisso de ter sido vista e ouvida, de ter resgatado a conexão com o seu masculino.