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Data de lançamento
25 Março 1995Duração
Hiroko perdeu seu noivo em um acidente de alpinismo. Quando, ao folhear o anuário escolar dele, descobre seu antigo endereço, decide enviar-lhe uma carta. Ela sabe que esta carta jamais chegará ao seu destino, porque no terreno onde ficava sua antiga casa hoje passa uma avenida. O que era para ser uma carta endereçada aos céus se tornou sua correspondência com uma garota que possui o mesmo nome de seu amado, que mora onde devia ser a casa dele e ainda possui uma espantosa semelhança com Hiroko.
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Apesar de eu amar filmes japoneses e coreanos, confesso que este filme não me atingiu, tem uma história muito bonita, mas vários filmes japoneses e coreanos já me tocaram muito mais do que este. Filmes sobre a perda de alguém costumam me emocionar, mas, neste caso, apesar da linda história, não senti essa faísca.
Pra quem não sabe do background histórico desse filme, acho interessante deixar aqui registrado como uma nota de rodapé rs.
A Coreia foi ocupada pelo Japão de 1910 até o final da Segunda Guerra. Com a derrota japonesa, ela voltou a ser um país e nela foi instaurada uma lei que proibia qualquer tipo de mídia japonesa (livros, músicas, filmes, etc), e essa perdurou até 1998.
Em 1999, quatro anos depois do seu lançamento oficial, Love Letter foi o primeiro filme japonês a ser assistido legalmente na Coreia do Sul e fazer sucesso - o primeiro de fato a ser exibido foi Fogos de Artifício (Hana-bi), mas que não tinha o mesmo apelo comercial. Love Letter foi um sucesso instantâneo e teve números surreais de bilheteria. Ele tem uma importância histórica gigantesca na reaproximação cultural dos dois países, abrindo uma via de mão dupla que fez com que nos anos seguintes o cinema e as séries coreanas se tornassem populares no Japão também.
Love Letter (1995) em sua cosmologia onírica, acomoda uma psique fragmentada pelo luto de sua masculinidade perdida e, dentro disso, articula uma lógica térmica como forma de transformação interna.
O principal significante onírico é a escolha da mesma atriz para interpretar as duas personagens, assim, fica fortemente estabelecido o vínculo e, em suas trocas de cartas: um diálogo interno visível. Vindo daquilo, do masculino perdido, dum acontecimento insuportável no feminino, tanto, que a doença da metade feminina interna é a mesma dele ou do pai falecido e, na metade externa, em torno dela, naquela neve relativa à psicogeografia da psique abalada pelo que foi perdido.
Nisso, uma lógica térmica é estabelecida, com o frio ligado a essa ausência e, o calor, conexão com isso que foi perdido, seja através de um novo homem ou na memória de tal, perdido, de qualquer forma, numa conexão com o masculino.
O resgate disso, é possibilitado através desse diálogo com o que há de mais íntimo, com essa descida consciente ao de mais intocado e inocente, se distanciando da dor do frio presente, de encontro com o que houve de mais ardente, ainda de forma fantasmagórica, mas presente.
Nesse espaço mais íntimo, no interior do mais sensível, temos o masculino-feminino vivo e, com isso, podemos testemunhar o masculino não desenvolvido, nele observado pelo prisma dominante do mais sensível, do feminino, como uma presença etérea, algo não fortemente definido. Tanto, que quando em disputa na corrida com o masculino: fraturado, tombando, caído; não seria o mesmo no alpinismo? O jovem eterno ainda numa disputa com o hierárquico do masculino e, na incapacidade disso, sucumbindo à montanha, ao símbolo, regressando, não mais apossado, personificado, dividido.
Nisso, gritar com a montanha ganha um novo sentido e, o eco dela, um outro sentido, é um diálogo consigo, com essas partes primordiais da alma, algo quase divino. O iluminar verdadeiro, é uma resposta do todo quanto a isso, do seu ser inteiro integrado, reconhecido, nisso de ter sido vista e ouvida, de ter resgatado a conexão com o seu masculino.
Insuperável!!! Fotografia, trilha sonora e enredo bem feitos e memoráveis. O sentimento de nostalgia é inescapável, como de praxe para os filmes do Shunji Iwai. Revejo sempre que posso, é uma carga emocional muito forte!
confesso que demorei um pouco para entender o plot, pois não tinha lido nada antes sobre o filme, mas quando eu entendi... nossa meninas que filme, viu <3