Em dado momento da versão restaurada de "Limite", existe um dano de tempo no negativo original que persistiu por uma cena inteira, o qual traz e também acentua a atmosfera fantasmagórica do filme de Mário Peixoto. Eu realmente fiquei hipnotizado nesse 'fantasma' do negativo castigado pelo tempo, e acima de tudo por vê-lo como um 'fantasma' do descaso e da má preservação dessa peça tão importante da história do nosso cinema e da nossa cultura. Um 'fantasma' que ali se infiltra e que ali passa a fazer parte do filme, tanto no rolo do negativo quanto em seu conteúdo.
Os personagens aqui não possuem nome, apesar de possuírem um passado que parece os assombrar constantemente e que nos é apresentado por uma montagem experimental e narrativa não linear, onde Peixoto apresenta cada ação que levou aquelas figuras assombradas a terminarem daquele jeito. A imagem faz sentir o que palavra nenhuma poderia comunicar e, nem com toda força, o bote parece sair do lugar. Se antes estes personagens pareciam especialmente limitados e presos mesmo a frente de cenários espaçosos, é no espaço limitado do bote onde o fantasma da melancolia parece finalmente se abater sobre o trio.
O bote que parece servir como uma fuga de seu passado está furado, e agora o que reste é esperar o fim nesta prisão flutuante em que os mesmos se colocaram. É nesse uso sensorial e espacial, junto da narrativa experimental, que Peixoto consegue trabalhar primorosamente a melancolia da fuga e da tragédia, junto a essa fragilidade de ser humano. No fim, o passado continua assombrando estes personagens como o fantasma do descaso assombra tanto o negativo quanto a obra agora eternizada pela restauração. É triste, mas existe um calor dentro de toda essa melancolia.
Em dado momento da versão restaurada de "Limite", existe um dano de tempo no negativo original que persistiu por uma cena inteira, o qual traz e também acentua a atmosfera fantasmagórica do filme de Mário Peixoto. Eu realmente fiquei hipnotizado nesse 'fantasma' do negativo castigado pelo tempo, e acima de tudo por vê-lo como um 'fantasma' do descaso e da má preservação dessa peça tão importante da história do nosso cinema e da nossa cultura. Um 'fantasma' que ali se infiltra e que ali passa a fazer parte do filme, tanto no rolo do negativo quanto em seu conteúdo.
Os personagens aqui não possuem nome, apesar de possuírem um passado que parece os assombrar constantemente e que nos é apresentado por uma montagem experimental e narrativa não linear, onde Peixoto apresenta cada ação que levou aquelas figuras assombradas a terminarem daquele jeito. A imagem faz sentir o que palavra nenhuma poderia comunicar e, nem com toda força, o bote parece sair do lugar. Se antes estes personagens pareciam especialmente limitados e presos mesmo a frente de cenários espaçosos, é no espaço limitado do bote onde o fantasma da melancolia parece finalmente se abater sobre o trio.
O bote que parece servir como uma fuga de seu passado está furado, e agora o que reste é esperar o fim nesta prisão flutuante em que os mesmos se colocaram. É nesse uso sensorial e espacial, junto da narrativa experimental, que Peixoto consegue trabalhar primorosamente a melancolia da fuga e da tragédia, junto a essa fragilidade de ser humano. No fim, o passado continua assombrando estes personagens como o fantasma do descaso assombra tanto o negativo quanto a obra agora eternizada pela restauração. É triste, mas existe um calor dentro de toda essa melancolia.