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Gradativamente, o documentário revela a existência aparentemente isolada de Dominguinhos, 72 anos, um ermitão que vive numa caverna encravada numa montanha de pedra. Construído com longos silêncios onde o ermitão executa as tarefas do dia a dia, como cozinhar e limpar, e com imagens que vão para além do seu território, descobrimos, no final, que na vida do ermitão o silêncio é o lugar comum, o estado normal em que o tempo passa. A fala é o estado de exceção.
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- ver esse senhorzinho sozinho, de aparência bem frágil, sentado abraçando as pernas me deu uma dor no coração
- mas dominguinhos é muito mais que isso, o documentário mostra a imensidão desse ser
- amei a cena fazendo café
É com muita angústia que assumo não ter gostado deste filme: da mesma maneira que incomodei-me bastante diante dos similares GIRIMUNHO e TERRA DEU, TERRA COME, achei a presença do diretor mui invasiva e as manipulações audiovisuais desagradáveis e dissonantes em relação ao espírito sobrevivencial do protagonista. Não em relação ao experimentalismo de O Grivo, mas no sobejo de sobreposições de ruídos e borrões à linguagem já suficiente afásica do velho Dominguinhos. A seqüência em que ele explica o título do filme, a citação providencial ao Guimarães Rosa logo na abertura e a reflexão sobre a teologia capitalista no desfecho são ótimos momentos. Mas achei o filme um porre: por mais curto que ele seja, foi difícil suportar até o final. Mas tenho certeza de que precisarei revê-lo: tudo indica que o erro de apreciação foi meu. Ou não... (WPC>)
Cao Guimaraes pelo cinema que faz é corajoso e muito sensível
"Quando o sujeito tem o coração fraco, o cérebro dele também não é muito forte, não. E se o caboclo tem o coração forte, ele tem tudo forte."
"Solidão é gente demais." Guimarães Rosa