Em A História do Olhar, vemos Mark Cousins se preparar para uma cirurgia para recuperar a visão. Cousins explora o papel da experiência visual em nossa vida individual e coletiva. Numa meditação profundamente pessoal sobre o poder que o olhar tem em sua própria vida, ele nos guia através das riquezas do mundo visível, em um caleidoscópio de imagens extraordinárias que atravessa épocas e culturas. Num tempo em que, mais do que nunca, estamos assolados por imagens, o cineasta revela como o olhar faz de nós o que somos. Cousins compartilha a dor e a delícia de ver o mundo, em toda sua complexidade e contradição, de olhos bem abertos.
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Mark Cousins é um livro aberto e sem pudor (essa vale pra aspectos amplos). Me agrada a maneira poética que ele se apega a ideia de conceber esse olhar, me agrada também suas listas e momentos dos quais avalia, como destrincha quase tudo com olhar lúdico. Aqui encontrei alguns excessos, mas ao considerar sua condição física a essa altura da vida, me pego pensando se também não ficaria tão sensibilizada, logo, tá valendo.
Visto no 27º Festival É Tudo Verdade 2022.
Como de praxe nos documentários mui pessoais do realizador (que é também crítico), uma jornada através de sua relação com os filmes que atravessam questões íntimas de sua vida e uma condução narrativa que incomoda alguns por causa do sotaque lânguido do diretor. Aqui, o enfoque é ainda mais pessoal, visto que, ao contrário de sua obra mais famosa, a derivação do homônimo literário é permeada por elucubrações sobre uma operação oftalmológica iminente. Os segmentos sobre as cores e sobre a adolescência são muito bons (inclusive, porque Mark Cousins ousa mostrar-se nu de maneira benfazeja - ainda que mantenha-se de botas nas situações em pauta), mas o trecho em que ele lê comentários responsivos a uma questão que propôs no Twitter soa um tanto emocionalmente chantagista. Idem acerca do epílogo, passado num futuro imaginário, em que os apanágios do envelhecimento consciente são trazidos à tona. Os trechos de filmes exibidos são mui pertinentes e o conjunto de situações rememoradas pelo diretor convida-nos a uma válida reflexão conjunta. Muito bonito - e corajoso em sua exposição de particularidades! (WPC>)