Donal Foreman foi ao apartamento de seu pai, o documentarista Arthur MacCaig, depois que ele morreu. Lá, encontrou uma extensa coleção de arquivos em vídeo, fitas, fotos e cadernos. O documentário usa esse material para traçar um panorama de 30 anos de história da Irlanda —e mostra a experiência contrastante de dois cineastas, nascidos em diferentes momentos políticos.
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Belíssima mistura de relato pessoal-afetivo com relato político. Um filme sobre (diversas) memórias.
O filme é bem tocante. Uma espécie de carta em forma de filme, que Foreman dedica a seu pai, um homem que mal conhecia (Arthur MacCaig). As imagens são lindas, e contam uma história própria, ao mesmo tempo em que a leitura simultânea das cartas conta outra diferente. Porém, no fundo, tanto a narração quanto as imagens estão conectadas. Despertou meu interesse em conhecer mais sobre MacCaig.
Até a semana passada, eu não conhecia o Arthur MacCaig. Hoje, considero-o um cineasta brilhante e um mártir de causa, tamanha a sua ênfase na tomada de partido da causa norte-irlandesa, que apresenta uma visão do IRA totalmente oposta à demonização midiática tradicional. Aqui, deparamo-nos com um filho distanciado, cujo relacionamento era impossibilitado pelos ciúmes da nova esposa do documentarista. O diretor deste filme de memórias múltiplas trespassa esta interdição e, mais que celebrar a carreira do mestre que tem a sorte de ser seu pai e de compartilhar conosco seu luto, erige uma obra mnemônica e reflexiva bastante íntima, que possui uma encantatória imagem pós-créditos.Apesar de emocionante (a cena que justifica o título é devastadora), o tom não é apelativo: Donal Foreman assume a sua diferença de olhar e até mesmo se distanciamento político eventual. Mas tudo converge numa análise soberba das intersecções inevitáveis da adesão ao ponto de vista dos insurgentes. Magistral! (WPC>)