O documentário relata condições de trabalho degradantes as quais o povo de países como Ucrânia, China, Nigéria, Indonésia e Paquistão são submetidos. Situações como as expostas no filme podem ser encontradas no mundo inteiro, o que expõe a que extremos uma pessoa pode chegar para poder sobreviver, para garantir o pão, aceitando trabalhos semi-escravos que persistem até hoje.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Qualquer pessoa que tenha assistido esse documentário irá provavelmente achar um pouco mais difícil queixar-se do seu próprio trabalho no futuro.
Em vários episódios, pessoas são mostradas no seu trabalho, ou melhor, na sua luta pela diária existência. As pessoas na Ucrânia vivem da rocha dura, fazendo pequenos buracos, constroem-nos a "salários" paupérrimos para extrair alguns quilos de carvão, usando as suas vidas, dia após dia. O povo da Indonésia também sobe diariamente ao cume de um vulcão para recolher o enxofre. Os fumos venenosos envolvem-nos, as cargas pesadas transportam-nos para contar nas suas costas, muitos pagam por isso com uma vida demasiado curta. Provavelmente o relatório mais extraordinário venha da Nigéria, onde é mostrado o que está a acontecer num matadouro em massa. Multidões de animais, sangue, sujidade, fedor, stress físico extremo, este filme não é para os fracos de coração, mas para a vida quotidiana de centenas de pessoas. É demasiada crueldade, e as condições catastróficas de higiene assustam-nos muito. No Paquistão, navios gigantes são desmantelados e transformados em pequenos pedaços todos os dias, hora a hora, com o maior esforço. Por um salário baixo, estes homens fazem o extremo. A produção de aço na China, que continua como há mais de cem anos é também uma provação única para os trabalhadores em dificuldades, e continuamos indiferentes a tudo isso. Finalmente, uma pequena amostra da mineração do aço em Duisburg na altura e a transformação deste ramo no nosso tempo. Em suma, um relatório muito interessante que poderia ter sido bem gravado mesmo sem som, por isso é-nos apresentado e explicado subjetivamente pelo próprio cineasta. Certamente que não é um filme para os mais fracos, mas penso que se deve ter medo do nosso ambiente muitas vezes tão agradável e não fechar os olhos à realidade, porque muitas vezes nós próprios nos lamentamos a um nível bastante elevado. Imagens impressionantes que certamente têm um efeito duradouro e nos mostram uma perspectiva diferente daquela a que estamos habituados. É o movimento da escravidão em plenos séculos XX e XXI, e sem qualquer sinal de que vá se alterar...
A morte do trabalhador é sangue, suor e lágrimas.
Aqui tudo gira em torno do trabalho, e de seus significados multifacetados, mas no fundo é sobre o trabalho que moveu e sustentou o mundo até agora; porém a visão aqui é outra: é extrema; dura e longe de ser a mais encorajadora, e ainda baseando -se nos próprios relatos do documentário, é a mais necessária.
O segmento da Nigéria é o mais impalatável, sem dúvida me deixou com mal estar.
Degradante e penoso ainda é pouco. Excelente documentário.
Que batida envolvente a do começo...
Tem que ter força de vontade pra ver a parte da Nigéria