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Data de lançamento
21 Set. 1962Duração
Colin Smith (Tom Cortenay) não quer trabalhar para ninguém, pois não quer que outros tenham lucro as suas custas. Tendo como desafio assaltar uma padaria, é preso e na prisão especial para jovens delinquentes descobrem-lhe o talento de corredor de longa distância. Logo o diretor da prisão (Michael Redgrave) pretende se servir dele para ganhar o campeonato para seu estabelecimento.
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-- A SOLIDÃO DE UMA CORRIDA SEM FIM / A SOLIDÃO DO CORREDOR DE FUNDO --
Interessante os como temas apresentados (juventude, conformismo, rebeldia, oportunismo, etc) são muito bem colocados e passados com realismo.
Destaque também para as atuações, a fotografia em preto e branco e pro final, bem marcante.
No estilo "Juventude Transviada", este pouco conhecido "The Loneliness of the Long Distance Runner", de 1962, é um drama realista, sucinto, objetivo e deveras interessante, valorizado pela impecável atuação de Tony Richardson no papel principal. No Centro Cultural em São Paulo, em meados de 2000, conferi este filme com o título de "A Solidão do Corredor de Fundo" numa mostra de filmes britânicos. A fotografia em P&B é muito bonita.
Um dos filmes mais bacanas que eu assisti do Tony Richardson. A história é super simples, mas contada de uma maneira que deixa tudo ainda mais interessante. Bonita fotografia em preto e branco e boa atuação do Tom Courtenay. O filme agrada desde o monólogo inicial até o seu final, e com certeza merecia ser muito mais conhecido.
"- Não é que eu não goste de trabalhar. É que não gosto da ideia de me escravizar para que os chefes possam obter todos os lucros. Parece tudo errado para mim .
- Eu costumava pensar que seria maravilhoso ser crescido.
- Eu acho que é.
- É, mas não da maneira que pensei, no entanto.
- Por que, o que você achou?
- Eu não sei. Talvez não saibamos muito ainda.
- Eu sei o suficiente, você sabe, querer saber mais. Eu tenho aprendido muito ultimamente. O problema é que não tenho certeza do que estou aprendendo.
[...]
Correr sempre foi algo importante em nossa família, especialmente correr da polícia. É difícil de entender.
Tudo o que sei é que se deve correr, correr sem saber porque, pelos campos e bosques. E ser o vencedor não é a meta, mesmo que torcedores malucos estejam vibrando como idiotas. Assim é a solidão de um corredor de longa distância.”
Obra-prima incontestável do fulgurante diretor inglês Tony Richardson.... Indubitavelmente um marco esplendoroso no cinema mundial, no que concerne à reflexão sobre rebeldia e [in]conformismo; vê-se de maneira diáfana, a influência do Neorrealismo e, claro - da nouvelle vague, que nesse exímio caso - a encafifada nouvelle vague inglesa.. Nessa película, tem-se com cada deslindar cênico, uma crítica mais que atual sobre como as relações sociais são condicionadas pelo dinheiro e consequentemente, o consumismo desenfreado; mas, mais que esses nevrálgicos pontos - observa-se a marginalidade juvenil criada e retroalimentada por essa própria sociedade adoecida em cada metro quadrado do seu tecido conjuntivo.... Depois desse filme, fica bem mais clarificado entender os problemas crônicos que o Brasil enfrenta; a sequência final é antológica e talhada à bisturi por tamanha magistralidade - a insubordinação se faz mais que necessária nos dias hodiernos, e essa obra fílmica nos descortina a obstinação que devemos ter e a resistência que devemos assumir como sendo um bosquejo de sensatez nessa ambiência social nebulosa que insiste/persiste em nos circundar claustromanicamente.
- Cinema em seu píncaro magnificente. Receita tarja-preta prescrita aos doentes cinéfilos , como eu e você.
“Correr sempre foi algo importante em nossa família, especialmente correr da polícia. É difícil de entender.
Tudo o que sei é que se deve correr, correr sem saber porque, pelos campos e bosques.
E ser o vencedor não é a meta, mesmo que torcedores malucos estejam vibrando como idiotas.
Assim é a solidão de um corredor de longa distância.”
Com esse monólogo inicial Colin Smith resume os dilemas de sua juventude e a difícil tarefa de crescer e encontrar seu lugar no mundo adulto. E o final, expõe toda a insatisfação e rebeldia dessa juventude. Esse filme me fez lembrar "Let Down" do Radiohead. (Em Abril/2019. Só)