Últimas opiniões enviadas
"Leve-me até o ponto de ônibus e esqueça que me conheceu....."
Daqueles clássicos que a gente não cansa de ver e rever.... Uma obra-prima no sentido maiúsculo da palavra; o renomado diretor R. Aldrich nos destila com pitadas de poesia cenas estilísticas e inesquecíveis de aspereza inexprimível, linguajar desatinado das ruas... sem contar o perfilhar dos insólitos protagonistas, permeados pelas ambiências caracterizadas por elementos limítrofes formidáveis. O elenco bacântico só faz abrilhantar mais essa prodigiosa pérola fílmica, que nos mimoseia com um final, no mínimo, apocalíptico.... O enigmático aqui, é trespassado por um prestigioso imbróglio de tramas/sub-tramas; do qual, sem dúvida nenhuma, o ratifica como um alumiante exemplar do gênero noir.... Não sei o que é mais rememorável: a memorosa cena inicial e/ou o epílogo cênico que marca o ápice vituperioso do filme.... Aldrich é fabuloso ao fazer com que nessa obra, haja o encontro entre a ficção científica e o noir... trazendo vívidas metáforas a respeito da atmosfera de ignávia e delírio paranoico que se abrolhou nos EUA nos anos 1950... Para nós, espectadores, um filme realmente inolvidável!
'' Mesmo se você for severo consigo mesmo, seja misericordioso com os outros [...] Um homem não é um ser humano, se não tiver piedade em seu coração. "
O cinema de Mizoguchi é algo definitivamente soberbo; agora pude reconhecer por quê era um dos cineastas preferidos do Tarkovski.... Nessa obra-prima, ele nos brinda com cenas memoráveis e com seu jeito esplâncnico de filmar, nos faz perceber o quão inolvidável é conferir 'O Intendente Sansho'; são sensações enternecedoras que se desembocam com o desenrolar do filme que nos traz uma emocionante lição a respeito da saga sobre o compadecimento humanitário, resistência e família.... O enquadramento é algo belíssimo, a fotografia é deslumbrante e primorosa; consegue nos transparecer a aridez que desola a noção de identidade humana e suas temerosas agruras; porém, a expectação do diretor é euforicamente esperançosa de que tudo volte a ser como antes... As pitadas de neorrealismo italiano e mesclas de expressionismo alemão, só dão uma incrementada a mais nessa baita obra fílmica que combina como ninguém, a beleza cavalar que converge na apolínea interação entre imagem (e que imagens!) e sons. Mizoguchi, Ozu e Kurosawa me fazem compreender a venustidade que caracteriza o verdadeiro paroxismo grandioso do Cinema de Arte.... Obrigado Mestres!
"O amor e o ódio não precisam de tradução......"
"Primeiro estranha-se,depois entranha-se."
/Fernando Pessoa
Me encontro deveras bastante atordoado por essa ígnea experiência cinematográfica, promovida pelo genial diretor ucraniano Miroslav Slaboshpitsky; a cada perfilhar cênico, ficamos com uma sensação plutônica e ao mesmo tempo imersos num rompante vulcânico de tamanha audácia e engenhosidade que permeia toda essa obra fílmica. Já começa pela perspectiva singular de ser todo filmado sem diálogos - se trata de uma película composta por jovens surdos - e é nesse aspecto que o reluzente diretor nos faz ter o ensejo de refletir sobre os problemas da juventude em uma nova linguagem - dos silêncios eloquentes - ; à qual devo invocar um dos meus escritores prediletos de sempre, o Maurice Blanchot (1907-2003). Nesse aspecto, acredito que devemos ponderar sobre esse filme na ótica blanchotiana, ou seja, considerar o silêncio não como ausência, mas repleto de tenaz loquacidade no que concerne aos nossos problemas de ordem mais íntima e que delineiam a nossa personalidade. É um falar imagético silencioso que permite o alastramento prolífico de circunspeções do diretor. O silêncio que diz, mas não remete a algo dizível de forma simplista. Como algo que escarpela o sentido, o silêncio é uma vertigem que-faz-nascer um ruído de vazio. Enquanto fendimento da palavra falada, o silêncio delineia a palavra para que o significado do que (não) é dito se eleve. O fazer cinema, aqui entre silêncios, conforme o diretor ucraniano e num segmento Blanchotiano, é colocar essa reflexão em jogo, é expor a linguagem para logo depois repeli-la, pois, ao devolvê-la em estilhaços, as fissuras permitem uma constelação de sentidos e colocam o Cinema em um degrau superior no que tange ao fazer artístico-social.
Me fez lembrar cineastas/fotógrafos que são dos meus prediletos, Gus Van Sant, Larry Clark, Harmony Korine, Gregg Araki, Nan Goldin, dentre outros... A estética belamente arredia aqui nos embevece e nos faz enxergar que a Sétima Arte sempre vai ser uma viagem estonteante que nos deixa sem palavras, mas nem por isso é silenciosa... esse é daqueles que vai reverberar um tempão na minha humilde mente cinéfila; para os que amam Cinema e as problemáticas juvenis, mais que obrigatório - um final que aturde - e não é esse o objetivo cinematográfico?!