Há muito tempo que anseio por descobrir esta minissérie maravilhosa: desde que o saudoso Arlindo Machado a elegeu como o trabalho televisivo mais importante de todos os tempos que nutro curiosidade, inclusive porque Peter Greenaway era um dos cineastas favoritos de minha infância. Fez jus ao meu favoritismo passional aqui: a montagem é maravilhosa e a poesia é apresentada com um didatismo mui aplaudível. Li o livro original faz muito tempo, e apressadamente, de modo que achei tudo muito hermético. Nesta versão, tal impressão é corrigida pelas explicações mui pertinazes dos especialistas acadêmicos. John Gielgud é um Virgílio sublime (quem me dera conhecê-lo algum dia) e a direção de arte é esplendorosa, repleto das pessoas nuas que o diretor tanto aprecia. Adorei! (WPC>)
Videoarte e uma grande dose de subjetividade se misturam nessa leitura televisiva e oitentista de Aleghieri. Uma obra bastante curiosa e intrigante, como já se podia esperar de Greenaway.
Por ser um trabalho de Greenaway, confesso que esperava mais visualmente. É certo que, por ser uma série para televisão, existiram as limitações orçamentárias e a obra de Dante para ser convertida em imagens exigiria um grande investimento. A repetição de corpus nus de homens e mulheres, comuns nos trabalhos do diretor, não é suficiente para gerar uma representação do inferno.O grande mérito da série é apresentar Dante Alighieri e a sua Divina Comédia a quem não os conhecia e despertar o interesse na leitura do texto original, fantástico legado da literatura da Idade Média.
Na pletora dos condenados, somos conduzidos as esferas mais baixas do inferno, onde lá jazem reis e almas condenadas a eternidade. A direção de Peter Greenaway instiga ainda mais a obra de Aleghieri! (como se precisasse)
Personalizando o todo, Greenaway reúne todas as referências dantescas caras à sua poética de acordo com seu espírito artístico: pássaros, insetos, corpos, formas que se sobrepõem no plano visual e narrativo com a intervenção de alguns especialistas (críticos, historiadores, teólogos, pesicólogos etc) enquadrados na tela como verdadeiras notas de rodapé de uma forma que aumenta ainda mais a impressão de uma leitura do texto de Dante. Uma obra que fala do homem de ontem e do homem contemporâneo e suas frustrações: assim Greenaway tece uma amarga reflexão sobre a contemporaneidade e os terríveis males que marcaram o século XX. O resultado é um fluxo contínuo de imagens, sentimentos perturbadores e pesadelos apocalípticos colocados em movimento através de uma arte retórica sem freios e totalmente entregue à percepção do espectador. Genial!
Há muito tempo que anseio por descobrir esta minissérie maravilhosa: desde que o saudoso Arlindo Machado a elegeu como o trabalho televisivo mais importante de todos os tempos que nutro curiosidade, inclusive porque Peter Greenaway era um dos cineastas favoritos de minha infância. Fez jus ao meu favoritismo passional aqui: a montagem é maravilhosa e a poesia é apresentada com um didatismo mui aplaudível. Li o livro original faz muito tempo, e apressadamente, de modo que achei tudo muito hermético. Nesta versão, tal impressão é corrigida pelas explicações mui pertinazes dos especialistas acadêmicos. John Gielgud é um Virgílio sublime (quem me dera conhecê-lo algum dia) e a direção de arte é esplendorosa, repleto das pessoas nuas que o diretor tanto aprecia. Adorei! (WPC>)
Videoarte e uma grande dose de subjetividade se misturam nessa leitura televisiva e oitentista de Aleghieri. Uma obra bastante curiosa e intrigante, como já se podia esperar de Greenaway.
Por ser um trabalho de Greenaway, confesso que esperava mais visualmente. É certo que, por ser uma série para televisão, existiram as limitações orçamentárias e a obra de Dante para ser convertida em imagens exigiria um grande investimento. A repetição de corpus nus de homens e mulheres, comuns nos trabalhos do diretor, não é suficiente para gerar uma representação do inferno.O grande mérito da série é apresentar Dante Alighieri e a sua Divina Comédia a quem não os conhecia e despertar o interesse na leitura do texto original, fantástico legado da literatura da Idade Média.
Na pletora dos condenados, somos conduzidos as esferas mais baixas do inferno, onde lá jazem reis e almas condenadas a eternidade. A direção de Peter Greenaway instiga ainda mais a obra de Aleghieri! (como se precisasse)
Personalizando o todo, Greenaway reúne todas as referências dantescas caras à sua poética de acordo com seu espírito artístico: pássaros, insetos, corpos, formas que se sobrepõem no plano visual e narrativo com a intervenção de alguns especialistas (críticos, historiadores, teólogos, pesicólogos etc) enquadrados na tela como verdadeiras notas de rodapé de uma forma que aumenta ainda mais a impressão de uma leitura do texto de Dante. Uma obra que fala do homem de ontem e do homem contemporâneo e suas frustrações: assim Greenaway tece uma amarga reflexão sobre a contemporaneidade e os terríveis males que marcaram o século XX. O resultado é um fluxo contínuo de imagens, sentimentos perturbadores e pesadelos apocalípticos colocados em movimento através de uma arte retórica sem freios e totalmente entregue à percepção do espectador. Genial!