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Em 2006, no Brooklyn, um adolescente desajeitado vai passar o verão final do colégio com sua irmã mais velha, que se jogou na cena lésbica e trans de Nova York. Adam encontra a menina de seus sonhos em uma festa; mas ele não sabe como dizer a ela que ele não é o homem trans que ela pensa que ele é.
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Quando assisti ao filme fui confrontado por uma narrativa que me deixou bastante incomodado. A premissa do filme é que as conexões emocionais podem ser mais complicadas e profundas do que as categorias de identidade. Isso é interessante e, de fato, acredito que sentimentos humanos muitas vezes transcendem rótulos. No entanto, a forma como o filme aborda essa ideia levanta questões sérias.
A história de Adam, um jovem heterossexual que finge ser trans para se aproximar de uma garota lésbica, é problemática desde o início. Ver Adam mentir sobre sua identidade de gênero sem enfrentar consequências significativas trivializa a experiência das pessoas trans. Ele mente para se aproximar de Gillian, o que é uma grave violação de confiança e respeito. A falta de consequências para suas ações ao longo do filme foi um grande ponto de desconforto para mim.
O final do filme, onde Adam comenta que encontrou o skyline que estava procurando, e seu amigo trans o corrige dizendo que ele está olhando para New Jersey e não para NYC, pode ser visto como uma metáfora para tentar consertar os erros do filme? Isso simboliza como Adam tem percebido tudo errado desde o início? Ele acha que está no caminho certo, mas na verdade está perdido e confuso sobre o que realmente importa?
Essa cena final me deixou pensando que, talvez, o filme estivesse tentando mostrar que Adam ainda não entende a profundidade de suas ações e suas consequências. No entanto, isso não desculpa a falta de responsabilização ao longo do filme.
A ideia central de que as conexões emocionais podem transcender as identidades é válida. Sim, uma lésbica pode se apaixonar por um homem cis hetero. Mas isso não deveria justificar mentir sobre uma identidade tão fundamental.
Achei mediano.
acho que esse filme, apesar de alguns (vários) defeitos no roteiro, teve uma boa direção, boas atuações, boa trilha sonora, e acho que ele por si só é valido pq começa uma discussão sobre o assunto. fico muito animado ao imaginar os futuros trabalhos desse diretor.
Concebido por um diretor transgênero, Adam não é um filme feito para a comunidade LGBTQA+. O propósito parece ser normalizar as idiossincrasias dessas pessoas para o grande público, principalmente o adolescente. Por isso, como mulher trans e apreciadora de coming of ages com essa estética indie, o filme me decepcionou um pouco. Ainda assim vale a pena conferir como esse espectro da narrativa queer vem sendo contado nas telas.
O filme deveria chamar "A virada de um oportunista". Apesar da lição não curti.