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Este vídeo é uma “carta filmada” que Godard endereçou ao TNS, o Théâtre National de Strasbourg, instituição onde desejou trabalhar, sem sucesso. Decepcionado, Godard lê um poema de sua autoria em que evoca sua amargura.
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Passaram-se dois dias, e acho que posso pronunciar em voz alta: Jean-Luc Godard suicidou-se, em sentido físico. Sim, ele estava cansado e, para quem acompanhava suas últimas entrevistas, chega a ser compreensível o seu derradeiro gesto. Só não é o melhor e mais autoral dos suicídios porque Mario Monicelli chegou antes, e foi imbatível. O importante é que ele deixou uma obra mais que suficiente para imortalizá-lo, tanto que ainda há muito o que ser descoberto. É o caso aqui: cheguei a este curta-metragem através de um 'sex symbol' local e fiquei impressionado, arrebatado, dilacerado, apaixonado! Que lindo o velhinho cantando, que texto pungente, que demonstração magnânima de que a "falta de mágoa" não implica em urgência na exposição das mazelas da contemporaneidade monetifágica, que dilacera a Arte através de más decisões burocráticas. Um filmes simples, curto, monotemático em aparência, mas uma despedida compartilhada que vai além de seu escopo inicial e que só cresce sendo (re)visto na conjuntura 'post mortem'. Magnífico! <3 (WPC>)