Dirigido por
Duração
Em um estúdio, artistas e ativistas são convidadas/os a improvisar corporalmente seus sentimentos com a mediação do aparato cinematográfico: seus desejos, angústias, indagações. Nessa caixa escura, o contexto macro-político se entrelaça às questões íntimas. Nesse dispositivo de confinamento (tal qual o isolamento social), a escassez de palavras favorece a aparição dos corpos em sua máxima potência. Ao formular um tempo não-cronológico, a aposta do filme está na experiência sensorial do aqui e agora: da elaboração de si, do encontro fílmico, da reflexão sobre um país.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
As intenções são inegavelmente boas, o projeto possui valores aplaudíveis e alguns dos intérpretes são ótimos, além de o ritmo não ser cansativo, não obstante o parco cenário e a montagem que não preza pela evolução. E é justamente esse o maior problema do filme: adere à estratégia do circunlóquio, como se o enfrentamento fosse interditado pelos lamentos em tom de bravata. Possui momentos fortes, entrelaçados por instantes de suma timidez (no mau sentido do termo, o filmicamente inexpressivo) e uma direção que parece assustada, com receio de explicar aos envolvidos na entrega actancial o que estava sendo "provocado". Ao final, a má impressão de que o título refere-se a um presente contínuo não-propositivo. Como se o vazio referenciado nos créditos de encerramento tivessem determinado a atmosfera perene de derrota. Os atores, poetas e dançarinos que mostram-se no palco pouco iluminado demonstram que o contrário é possível - mas a diretora não estava em condições de fazê-lo naquele momento. Compreensível, talvez. mas frustrante em relação aos resultados apresentados. Infelizmente! (WPC>)