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Em uma pequena vila em Navarra, Espanha, século XVII, a avó de Garazi é queimada na fogueira, acusada de ser uma bruxa e condenada por um inquisidor. Isso faz de Garazi uma suspeita de bruxaria e, eventualmente a leva para a prisão, onde é atrozmente torturada e humilhada.
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"Akelarre" (Akelarre) - é uma produção hispânica, lançada em 1984, com roteiro e direção de Pedro Olea. Este filme inspirou uma refilmagem com o mesmo nome, lançada em 2020 pela Netflix.
O roteiro deste filme, se comparado ao remake, é mais fiel aos acontecimentos reais documentados por historiadores, sobre os tribunais de inquisição promovidos pela Igreja Católica durante o século XVII, quando pessoas (em maioria mulheres) eram acusadas da prática de bruxaria e adoração ao demônio, sendo presas, torturadas e condenadas à morte em fogueiras gigantescas, para que todos vissem.
A locação escolhida para o filme foi o Vale de Araiz - Região de Navarra, onde ocorreram alguns dos fatos reais que inspiraram a trama. Essa ambientação permite uma imediata imersão na narrativa, sendo ao mesmo tempo fascinante e opressivo ver aquelas construções medievais com paredes de pedra e mobílias antigas, de onde é quase possível imaginar o cheiro do bolor que emanam. O figurino acurado também denota um criterioso trabalho de pesquisa, com a escolha de trajes desgastados e desprovidos de suntuosidade, como realmente deveriam ser as vestes dos camponeses daquela época.
O filme conta a estória de Garazi (Silvia Munt), uma jovem que trabalha numa taberna e é apaixonada por um camponês chamado Unai (Patxi Bisquert). No passado, a avó dela havia sido condenada por bruxaria e levada à fogueira, na França. Sua mãe, com medo da perseguição, fugiu com a pequena Garazi para a região de Andueza, na Espanha. Ali, quase todas as terras e edificações pertenciam ao autoritário Don Fermín (Walter Vidarte), que tinha apenas um filho, o jovem Iñigo (Iñaki Miramón). Este, era apaixonado por Garazi e a perseguia, mas era sempre rejeitado por ela.
Em certo momento, o pároco local, Don Ángel (Miguel Garmendia), começa a receber confissões de fieis que afirmam existir bruxas naquela cidade. Ele então procura o Reverendo Miguel para expressar sua preocupação. Não satisfeito, vaí até Don Fermín, que então comunica o Conselho Real e o Santo Ofício da Igreja. Chega à cidade o Padre inquisidor Acevedo (José Luiz Vasquez), representante do Tribunal de Exceção que irá intimar mais de uma centena de moradores locais para que apontem as pessoas envolvidas nos rituais de bruxaria.
Trata-se de um filme competente, com um roteiro sem muitas surpresas, mas que se aproxima um pouco mais das experiências históricas, ao contrário do remake, que optou pelo esvaziamento da dramaticidade em prol do cuidado estético com a fotografia, com a beleza do elenco e uso de coreografias, deturpando os rituais pagãos e transformando-os em um espetáculo teatralesco.
Entre o original e o remake, o primeiro parece ser o melhor "Akelarre".