Alain Tanner foi um dos nomes mais influentes do cinema europeu e a figura central do Novo Cinema Suíço. Nascido em Genebra, formou-se em Economia, mas logo redirecionou sua trajetória para as artes visuais, fundando um cineclube universitário ao lado de Claude Goretta. Na década de 1950, mudou-se para Londres para trabalhar no British Film Institute, onde se aproximou do movimento Free Cinema e dirigiu com Goretta o premiado documentário Nice Time.
Após uma passagem pela França, onde acompanhou o efervescer da Nouvelle Vague, e um período dirigindo documentários para a televisão suíça, Tanner ajudou a fundar o Groupe 5 em 1968. O coletivo buscava renovar e renovou o audiovisual do país com produções independentes, autorais e engajadas.
Seu primeiro longa-metragem de ficção, O Último a Rir, venceu o Leopardo de Ouro no Festival de Locarno e marcou o início de uma obra marcada pelo inconformismo, pela crítica à moral burguesa e pela busca por liberdade individual. Ao longo da década de 1970, construiu uma marcante parceria criativa com o escritor e crítico britânico John Berger, resultando em obras emblemáticas como A Salamandra e Jonas que Terá 25 Anos no Ano 2000, que retratam com poesia e lucididez os dilemas e desilusões das utopias pós-1968.
Sua consolidação internacional veio nas décadas seguintes. Com Os Anos de Luz, conquistou o Grand Prix do Festival de Cannes, e com A Cidade Branca, rodado nas ruas de Lisboa e estrelado por Bruno Ganz, venceu o prêmio César de Melhor Filme Francófono. Ativo até o início dos anos 2000, Alain Tanner encerrou sua carreira com o longa Paul s'en va e faleceu aos 92 anos, consagrado como a principal voz moral e estética da história do cinema suíço.
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