Um filme sobre a passagem da cultura rural basca, que liricamente explora o espírito do lugar, a ascendência e a inevitabilidade da mudança. Gaizka é o filho mais velho da família, mas recusa a assumir o casario - a fazenda que foi da família por gerações. Sua irmã Amaia é a única que tem de lidar com o protesto de seu teimoso pai à moda antiga. Ele insiste que a fazenda representa um modo de vida e valores que devem ser preservados. Amaia encontra-se dividida entre a tradição e a vida no mundo moderno, mas ela não pode deixar seus velhos pais e avó cuidarem da fazenda por si mesmos.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
"Há 80 Amamas ainda viviamos no neolítico"
Um filme tão incrível que será difícil encontrar as palávras certas para descrevê-lo.
Tão Intenso quanto profundo propõem em sua trama uma profunda reflexão sobre a vida.
Amama é o elo que liga o neolítico ao presente e, mesmo sem dizer nada, ela diz tudo.
Virou meu favorito.
Assistam!
Uma grande surpresa vinda do cinema do país Basco. "Amama" é um produto da diversidade cultural que marca e atravessa a Espanha. Falado na língua local, é uma obra que trata de temas já, inúmeras vezes , abordados: o conflito familiar( de expetativas, de vivencias e aspirações) e o choque entre ruralidade e urbanidade. No entanto, apesar de abordar temas recorrentes, o diretor Asier Altuna consegue, recorrendo a encantadores planos, e a uma linguagem cinematográfica poética(com silêncios e expressões que comunicam tanto) , dar-nos uma perspectiva unica e tocante. É mais do que motivo suficiente para aplauso. Nota:4(0-5)
Quando se há respeito pelos costumes desenvolvidos por gerações, mesmo que eles se mostrem superados com o passar do tempo, uma reverência a essas tradições é normal e salutar para manter viva a memória da família. A supervalorização dessas práticas, no entanto, adotadas como único vetor de sentido a vida e empurradas goela abaixo dos novos integrantes, anulando a individualidade e forçando uma obrigação de enclausuramento rural frente as outras opções que a modernidade e os novos anseios ofertam, agem como um veneno na manutenção desses valores sócio-culturais. Na região do país basco, tendo o campo e a natureza como um elemento fundamental, Amama exerce seu discurso antagônico entre passado e presente, apego a família e resistências as mudanças, o novo e o velho e a quebra de uma ordem cujos efeitos ecoam de forma diferentes. Com um fotografia deslumbrante e um roteiro que centraliza os conflitos, mas não unicamente, no choque entre pai e filha (legítimos representantes de seus tempos), o grande destaque fica com a interpretação de Kandido Uranga no papel do inacessível Tomas que com poucas palavras, mas com uma soma de postura corporal e expressões faciais incrivelmente arrebatadoras, passa ao espectador todo o peso, angústia e frustração de uma existência escrava a um estilo cerimonial secular, ou como Gaizga (Manu Uranga) costuma dizer, sob um olhar mais terno do que agressivo, 'neolítico'. Amama (a matriarca) e Gaizga (a neta) fazem o elo dos dois extremos de realidade deste vértice onde o vínculo entre as duas se expande para além forte laço afetivo que se reflete na inspiração artística de Gaizga na imagem de Amama. Filme com grande vigor na construção poética das imagens.
Evoca com muita eficiência toda a complexidade da relação homem/natureza, tanto pelo viés rural e suas implicações na relação familiar e na dialética campo/cidade, assim como na relação mística através da figura da Amama e no trabalho artístico de Amaia.
Lindo filme, com sequencias e planos idílicos de uma beleza impar!
Vi hoje no Cine Ceará. Fiquei toda arrepiada.