Há muitos aspectos belíssimos neste filme. Repito o adjetivo superlativo: belíssimo. Porém, estes aspectos, quando comungados, pecam pelo excesso (o melhor dos excessos, aliás). A idéia da carta ao presente é magistral, mas, quando o eu-lírico esclarece "o problema do presente", o impacto emocional se esvai numa racionalidade redundante, num recurso ao truísmo, que soa calculado, ao contrário da demonstração da poesia contida na observação de uma mãe que rega a samambaia... As imagens de encontros praianos e universitários são ótimas, e a montagem de som tem instantes sublimes: lindo o recurso às múltiplas vozes, ao emaranhado se sensações que comungam através da leitura de um mesmo poema, das mesmas frases, lindas sob distintas entonações. Porém, algo na trilha musical (o trecho composto por Tori, deveras funcional à parte desta utilização, fílmica, diga-se de passagem) acentua o conflito entre a urgência do realizador por amar e a obrigação de converter isso em projeto, em obedecer a uma planilha de soluções técnicas que engessam um tantinho daquilo que grita, daquilo que se destaca nos esconderijos no meio do mato. Nem se precisa concordar com o que o autor confessa para admirar o modo como ele está encantado e compartilha conosco este encantamento. Estou entre os que concordam, inclusive, de modo que fiquei tão emocionado quanto excitado (o trecho sobre aquilo que fica marcado na pele é ótimo), mas, ao término, as memórias afetivas parecem arquivadas numa afirmação similar àquela que justifica socialmente o não entendimento poético da mãe do artista: "é apenas um filme", diriam. Não apenas, defenderei. Sendo assim, a cotação corresponde ao primeiro caso; o comentário, ao segundo! (WPC>)
Há muitos aspectos belíssimos neste filme. Repito o adjetivo superlativo: belíssimo. Porém, estes aspectos, quando comungados, pecam pelo excesso (o melhor dos excessos, aliás). A idéia da carta ao presente é magistral, mas, quando o eu-lírico esclarece "o problema do presente", o impacto emocional se esvai numa racionalidade redundante, num recurso ao truísmo, que soa calculado, ao contrário da demonstração da poesia contida na observação de uma mãe que rega a samambaia... As imagens de encontros praianos e universitários são ótimas, e a montagem de som tem instantes sublimes: lindo o recurso às múltiplas vozes, ao emaranhado se sensações que comungam através da leitura de um mesmo poema, das mesmas frases, lindas sob distintas entonações. Porém, algo na trilha musical (o trecho composto por Tori, deveras funcional à parte desta utilização, fílmica, diga-se de passagem) acentua o conflito entre a urgência do realizador por amar e a obrigação de converter isso em projeto, em obedecer a uma planilha de soluções técnicas que engessam um tantinho daquilo que grita, daquilo que se destaca nos esconderijos no meio do mato. Nem se precisa concordar com o que o autor confessa para admirar o modo como ele está encantado e compartilha conosco este encantamento. Estou entre os que concordam, inclusive, de modo que fiquei tão emocionado quanto excitado (o trecho sobre aquilo que fica marcado na pele é ótimo), mas, ao término, as memórias afetivas parecem arquivadas numa afirmação similar àquela que justifica socialmente o não entendimento poético da mãe do artista: "é apenas um filme", diriam. Não apenas, defenderei. Sendo assim, a cotação corresponde ao primeiro caso; o comentário, ao segundo! (WPC>)