Para reconquistar a confiança de seus chefões, o mafioso Jerry deve acompanhar durante fim de semana um sapateiro que assumiu assassinato cometido por chefão da Máfia. Mas Jerry insiste em fazer as coisas a seu modo e arranja uma grande confusão.
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Acho que deixei passar, mas eu não entendi aquele final....
como eles conseguiram fazer o cara se "acusar" no julgamento? Como eles escaparam?
Filmaço. Bem elaborado , bem narrado. Bem construído
As Coisas Mudam (David Mamet, 1988) – Crítica – Clube de Cinema Outubro
Para o diretor e roteirista David Mamet, o cineasta deve buscar ordem, não o caos. Segundo ele, devemos começar com um evento perturbador e seguir em direção a restauração da ordem. Em As Coisas Mudam vemos uma exemplificação desta teoria. A trama começa com o sapateiro Gino, interpretado por Don Ameche, recebendo uma proposta de mafiosos. Segundo eles, Gino confessaria um crime e em troca receberia dinheiro para realizar seu sonho: comprar um barco de pesca na Sicília.
A vida pacata do sapateiro pode mudar ao aceitar a proposta da máfia, mas para isso ele precisa passar um fim de semana em observação, antes de assumir o crime. Jerry, interpretado por Joe Mantegna, um mafioso que está tentando provar seu valor é responsável por cuidar de Gino. O problema é ele não estar disposto a ficar um fim de semana preso em um quarto de hotel. É então, quando tudo começa a complicar, Jerry e Mantenga resolvem ir à Las Vegas aproveitar o fim de semana, antes da prisão.
Diferente de Jerry, Gino quase não fala e suas intenções são demonstradas por meio do olhar e gesto. O duo de atores conseguem criar um antagonismo interessante na forma de representação. Jerry quer conquistar o respeito de seus pares, mas também deseja se dar bem. Ele precisa da prova por não ter “conseguido” seguir às ordens antes. O silêncio do sapateiro é quebrado sempre com o falatório de Jerry. Alguém autoconfiante e cheio de malícia. Bem diferente de Gino, um humilde sapateiro, confiante no cumprimento do acordo com a máfia para realizar seu sonho.
Um dos grandes méritos de Mamet, em todos os seus filmes é conseguir coesão em roteiro e nunca deixar um personagem sem função. Em As Coisas Mudam, ele choca as intenções de Jerry e Dino. Tudo exposto em cena tem uma função, mesmo sendo apenas uma moeda. Os planos sequências são quase inexistentes, mas os quadros nunca são formados sem uma ligação com a cena a seguir.
Ao fim, As Coisas Mudam é um bom filme que demonstra domínio do diretor na produção da arte cinematográfica.
História boa e interessante. Tenho que rever, só assisti na Globo quando passou durante a década de 90.
A diferença de um ator para um bom ator fica evidente nesta comédia de situações dirigida em inicio de carreira pelo dramaturgo Mamet. E quem dá o show aqui é o veterano Ameche na pele do atrapalhado e metido a mafioso Gino.Durante quase toda a primeira meia hora de filme ele praticamente não abre a boca. E nem precisa! Com seus gestos e olhares rouba a cena e mostra mais uma vez que foi injustiçado no Oscar daquele ano onde não recebeu sequer uma indicação.Vale a pena rever!