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AS MIL MULHERES parte de um dispositivo de interação: artistas feministas criam obras de arte inspiradas por histórias de outras mulheres. Ao acompanhar o processo de trabalho de quatro artistas selecionadas por meio de uma chamada online – Ana Luisa Santos (Brasil), Bia Ferreira (Brasil), Florencia Duran (Uruguai) and Lena Chen (EUA) o filme propõe uma reflexão sobre arte e ativismo a partir da expressão criativa de mulheres.
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Uma ideia grandiosa, por mulheres incríveis e envolvendo outras mais admiráveis ainda. Ver esse filme foi uma grata surpresa e um presente necessário da vida. Vi já tem mais de 6 meses e me entristece saber que não chegou ao público. Grato por ter me apresentado a Ana Luisa Santos e a Bia Ferreira. Obra poderosíssima!
Serei bastante franco: apesar das excelentes intenções produtivas e da grandiosidade do "lugar de fala" das personagens reais envolvidas no projeto, adentrei a sessão sumamente desconfiado. Pelo 'trailer', o filme parecia não se sustentar suficientemente enquanto tal, não obstante revelar-se deveras funcional em seu assistencialismo afetivo. E, de fato, nas primeiras imagens, algo na quadratura da montagem incomodou-me: a artista plástica parecia vagando em busca de inspiração, a vítima de 'revenge porn' se destacava por um ressentimento traumático, a 'rapper' esbanjava espontaneidade mas se perdia nalgumas justificativas sobre seu próprio modo de trabalho, e a muralista era calada, tímida, não se entendia, de fato, o que era pretendido por ela... Aos poucos, estas vozes alçaram-se de maneira impressionante: a sino-americana manteve o tom alto e revelou-se a menos interessante das partícipes, ao contrário de Bia Ferreira, fascinante em cada entrada em cena, inclusive problematizando um certo "aburguesamento esbranquiçado" do feminismo atual. A cada verso poderoso desta cantora mui consciente, o filme crescia, e se mesclava brilhantemente com a construção magistral do imenso painel de resistência habitacional pintado pela artista uruguaia. O pólo mais fraco continuava sendo o da artista de rua, um tanto pasmada à la Marina Abramovic. Porém, servindo-se de uma inspiração relativamente sadomasoquista e protestante, no mesmo elã da 'performer' sérvia, esta artista protagoniza um desfecho absurdamente climático, uma demonstração feroz do quão urgente é este projeto de auto-sustentação feminina e do quão emergencial é o seu petardo discursivo: impossível quedar indiferente perante aquela virulenta conclusão (em aberto), prontamente sonorizada pelos versos conclamantes da 'rapper'. Muito bom. Obrigatório nos tempos atuais! (WPC>)