Outrora uma famosa aviadora Stalinista, atualmente Nadezhda Petrovna vive no interior, onde trabalha numa escola. Porém, por manter fortes os ideais herdados do serviço militar de sua época, ela não consegue conviver normalmente com a sociedade pacífica atual.
No geral um filme frio, uma protagonista sisuda e que não me gerou empatia e me desculpe quem for contrário a minha opinião mas não posso admitir este discurso asqueroso de uma Stanilista que anseia pelo retorno de um momento em que a URSS massacrou milhares de pessoas e nações. Em nenhum momento senti que Shepitiko quis criticar isso, pelo contrário, a ideia aqui é humanizar aqueles que sempre foram desumanos. A fotografia pelo menos é bonita.
Filme muito bem realizado, se destacando em vários aspectos, como a bela fotografia em preto e branco, a linda trilha sonora e a atuação marcante e intensa de Bulgakova. A diretora Shepitko evoca o cinema de Antonioni e Bergman, ressaltando os sentimentos da personagem principal, uma heroína de guerra que, no presente, se vê deslocada, solitária e às voltas com problemas de relacionamento com a filha. Algumas cenas belíssimas, em especial a final.
Eu estava achando o filme mediano até perceber que, para entendê-lo, era necessário compreender sua protagonista. A imagem que ela transmite, a princípio, é de uma mulher solitária, rígida e amargurada. Com o desenrolar da história, percebemos que ela é tudo isso, mas desperta nossa simpatia. Também entendemos que ela é uma pessoa que tenta se encaixar no mundo e dialogar com as pessoas, embora não seja bem compreendida. Trata-se de uma mulher repleta de melancolia e lembranças. Quando essas memórias são reveladas, passamos a compreendê-la melhor.
O final me deixou bastante emocionado e abre espaço para várias interpretações sobre o que é a solidão e se aquele desfecho é solitário, melancólico, libertador ou talvez um pouco de tudo isso.
A cena final… caramba que coisa linda! Fiquei completamente imerso no cinema contemplando o telão. Vale a pena acompanhar todos os tormentos da personagem principal durante o filme apenas para que aquela cena faça sentido.
Acho que tem toda uma aura meio desoladora, da personagem, do ambiente, das suas relações. Você sente a vida perdida, um caos interno e ela sem saber para onde ir ou lidar com adversidades do dia a dia. É um passado que tá presente em todos, de alguma forma superaram, e ela não, por isso a solidão. Uma busca por aventura em um mundo já quieto e pacato. Ela tenta encontrar sentido nas coisas, e não consegue. Apenas no mundo dos sonhos, da imaginação e dos desejos. É bem triste e ainda bonito o final, criando asas e fazendo pazes com o trauma.