Engraçadinha (Vera Viana) e seu primo Sílvio (Jece Valadão) vivem um romance ardente, mesmo os dois sendo noivos de outras pessoas. Uma grande revelação virá à tona para tornar a situação uma tragédia completa.
Baseado no romance Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados dos 12 aos 18 anos", editado em 1960 e reunindo os capítulos originariamente publicados em série no jornal carioca Última Hora, em 1959.
Asfalto Selvagem é um filme brasileiro de 1964 dirigido por J.B. Tanko, um drama produzido pela Produções Cinematográficas Herbert Richers e distribuído pela Times Film Corporation e baseado na primeira parte do romance Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores, do escritor Nélson Rodrigues.
CURIOSIDADES DAS FILMAGENS: - Prêmio Governador do Estado de São Paulo por Melhor ator secundário - Jorge Dória. - O filme foi censurado depois do golpe militar de 1964. Em 1966, foi lançada a continuação da história, Engraçadinha depois dos trinta, também dirigida por J.B. Tanko.
J. B.Tanko transformou os tipos e situações rodriguianos em sua matéria-prima, quer nas chanchadas epigônicas dos 60, quer nas comédias e dramas dos 70. Nas adaptações, Tanko conseguiu unir a origem europeia ao melodrama mexicano e dar uma resposta consistente às provocações do texto de Nelson Rodrigues. Asfalto selvagem é fiel ao folhetim. Já na abertura somos inseridos em uma narrativa cíclica, como convém ao mito, e levados a conhecer o passado remoto de Engraçadinha. O flashback indica o mundo rural como origem, e lembra a transposição clássica do desenraizamento da terra e posterior inserção urbano-industrial; o desejo é o motor das ações. Esse aspecto é particularmente feliz na sequência da fusão de corpos, signo de atualidade diante do psicodelismo nascente.
A narrativa vem para o presente — a morte —, e retorna a um flashback em que tudo será esclarecido. A estrutura, incomum para um filme brasileiro, não desnorteia o espectador, em grande parte por causa do trabalho de montagem de Rafael Justo (escolhido, em seguida, para montar Deus e o Diabo na Terra do Sol). Os cortes criam homologias sonoro visuais (palavra sexo X imagem da carne de açougue) e antíteses (Zózimo de terno na sarjeta X Engraçadinha de baby-doll na cama), costuras que privilegiam deslocamentos mecânicos e ópticos (zoom) da câmara e elipses extraordinárias que vão sufocando o drama. Não há pausas, interlúdios, idílios nem outros artifícios para privilegiar, por exemplo, a nudez.
Tanko tem consciência de que a sociedade é mais uma ave de rapina do que voyeur. Insere uma advertência de que a obra (livro e filme) busca efeito moralizador, contra a decadência dos costumes, mas faz isso por cima do corpo insinuante de Vera Viana. Esse tom permeia a composição dos diálogos, a dicção, a música — o dado mais moderno e irônico da narrativa, em bela trilha de João Negrão —, e o uso da iluminação, recortando e reenquadrando corpos.
Asfalto selvagem mostra-se ágil, dinâmico, moderno, bem narrado e sem nenhuma evidência de síndrome de naftalina. Ponto para Tanko.
Baseado no romance Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Amores e Seus Pecados dos 12 aos 18 anos", editado em 1960 e reunindo os capítulos originariamente publicados em série no jornal carioca Última Hora, em 1959.
Asfalto Selvagem é um filme brasileiro de 1964 dirigido por J.B. Tanko, um drama produzido pela Produções Cinematográficas Herbert Richers e distribuído pela Times Film Corporation e baseado na primeira parte do romance Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores, do escritor Nélson Rodrigues.
CURIOSIDADES DAS FILMAGENS:
- Prêmio Governador do Estado de São Paulo por Melhor ator secundário - Jorge Dória.
- O filme foi censurado depois do golpe militar de 1964. Em 1966, foi lançada a continuação da história, Engraçadinha depois dos trinta, também dirigida por J.B. Tanko.
J. B.Tanko transformou os tipos e situações rodriguianos em sua matéria-prima, quer nas chanchadas epigônicas dos 60, quer nas comédias e dramas dos 70. Nas adaptações, Tanko conseguiu unir a origem europeia ao melodrama mexicano e dar uma resposta consistente às provocações do texto de Nelson Rodrigues. Asfalto selvagem é fiel ao folhetim. Já na abertura somos inseridos em uma narrativa cíclica, como convém ao mito, e levados a conhecer o passado remoto de Engraçadinha. O flashback indica o mundo rural como origem, e lembra a transposição clássica do desenraizamento da terra e posterior inserção urbano-industrial; o desejo é o motor das ações. Esse aspecto é particularmente feliz na sequência da fusão de corpos, signo de atualidade diante do psicodelismo nascente.
A narrativa vem para o presente — a morte —, e retorna a um flashback em que tudo será esclarecido. A estrutura, incomum para um filme brasileiro, não desnorteia o espectador, em grande parte por causa do trabalho de montagem de Rafael Justo (escolhido, em seguida, para montar Deus e o Diabo na Terra do Sol). Os cortes criam homologias sonoro visuais (palavra sexo X imagem da carne de açougue) e antíteses (Zózimo de terno na sarjeta X Engraçadinha de baby-doll na cama), costuras que privilegiam deslocamentos mecânicos e ópticos (zoom) da câmara e elipses extraordinárias que vão sufocando o drama. Não há pausas, interlúdios, idílios nem outros artifícios para privilegiar, por exemplo, a nudez.
Tanko tem consciência de que a sociedade é mais uma ave de rapina do que voyeur. Insere uma advertência de que a obra (livro e filme) busca efeito moralizador, contra a decadência dos costumes, mas faz isso por cima do corpo insinuante de Vera Viana. Esse tom permeia a composição dos diálogos, a dicção, a música — o dado mais moderno e irônico da narrativa, em bela trilha de João Negrão —, e o uso da iluminação, recortando e reenquadrando corpos.
Asfalto selvagem mostra-se ágil, dinâmico, moderno, bem narrado e sem nenhuma evidência de síndrome de naftalina. Ponto para Tanko.
nao vai pro meu email tem que ser outro