Vi no Festival Mix no ano passado. Gostei, é um drama romantico e policial noir envolto de polêmicas. Bom filme, apesar da fotografia muito escura por vezes tornar a narrativa um pouco confusa.
Apesar de a publicidade do filme destacar a filiação do diretor à Escola de Berlim e de o material de divulgação alegar que há algo de fassbinderiano na trama, as referências que pude identificar na trama são MÁQUINA MORTÍFERA e O PAGAMENTO FINAL, com as devidas oposições estilísticas, claro. Trata-se de um filme que adere à narrativa policialesca clássica - um tanto 'noir', conforme notaram alguns exegetas - , mas com largas aberturas às reflexões sobre os preconceitos e desconfianças enfrentados pelas pessoas transexuais. Neste sentido, a personificação de Thea Eher é mui elogiável e aplaudível, mas há algo de incomodamente afetado na interpretação de Timocin Ziegler, o que tem a ver com as dúvidas de seu personagem. A narrativa é afobada, na maneira como os personagens se conhecem e se aproximam, e o desfecho é antecipado dialogisticamente, em mais de um instante. O que tem menos a ver com previsibilidade que com tragicidade, com um determinismo associado ás convenções do gênero - e/ou de gênero, já que as rusgas entre homens e mulheres são reiteradas através das insatisfações dos dois casais observados pelo roteiro. Gosto do uso das baladas cancionais e da condução entretenedora, de modo que nem sentimos a duração um tanto prolongada. Não inova muito, mas é uma atualização tipicamente alemã de tramas reconhecidamente hollywoodianas. Curti! (WPC>)
Vi no Festival Mix no ano passado. Gostei, é um drama romantico e policial noir envolto de polêmicas. Bom filme, apesar da fotografia muito escura por vezes tornar a narrativa um pouco confusa.
Apesar de a publicidade do filme destacar a filiação do diretor à Escola de Berlim e de o material de divulgação alegar que há algo de fassbinderiano na trama, as referências que pude identificar na trama são MÁQUINA MORTÍFERA e O PAGAMENTO FINAL, com as devidas oposições estilísticas, claro. Trata-se de um filme que adere à narrativa policialesca clássica - um tanto 'noir', conforme notaram alguns exegetas - , mas com largas aberturas às reflexões sobre os preconceitos e desconfianças enfrentados pelas pessoas transexuais. Neste sentido, a personificação de Thea Eher é mui elogiável e aplaudível, mas há algo de incomodamente afetado na interpretação de Timocin Ziegler, o que tem a ver com as dúvidas de seu personagem. A narrativa é afobada, na maneira como os personagens se conhecem e se aproximam, e o desfecho é antecipado dialogisticamente, em mais de um instante. O que tem menos a ver com previsibilidade que com tragicidade, com um determinismo associado ás convenções do gênero - e/ou de gênero, já que as rusgas entre homens e mulheres são reiteradas através das insatisfações dos dois casais observados pelo roteiro. Gosto do uso das baladas cancionais e da condução entretenedora, de modo que nem sentimos a duração um tanto prolongada. Não inova muito, mas é uma atualização tipicamente alemã de tramas reconhecidamente hollywoodianas. Curti! (WPC>)