Um panorama contemporâneo de homicídios praticados pela polícia contra civis, no Rio de Janeiro, em situações inicialmente classificadas como legítima defesa. As vítimas de assassinato são acusadas de serem traficantes e de terem trocado tiros com os policiais. No entanto, a versão da PM é posta em xeque pelo surgimento de vídeos e pela luta de mães que tentam provar a inocência de seus filhos. O filme retrata o embate de versões no julgamentos de casos nas varas dos Tribunais do Júri, os bastidores das investigações policiais e a Comissão Parlamentar de Inquérito estadual instaurada para apurar o alto índice de mortes decorrentes da ação policial no Rio.
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Em "Auto de Resistência", encontramos um espelho perturbador da sociedade contemporânea brasileira, especialmente no que tange à violência policial no Rio de Janeiro. O documentário desnuda uma realidade inquietante, onde homicídios de civis, frequentemente jovens negros das periferias, são rotineiramente classificados como legítima defesa por uma polícia que deveria proteger.
A dor das mães, personagens centrais dessa narrativa, ecoa o sofrimento de milhares de famílias dilaceradas por um sistema que perpetua a desigualdade e a injustiça. Suas batalhas nos tribunais, sua busca incansável por justiça, revelam a crueza de um estado que, em vez de proteger, marginaliza e extermina.
A abordagem cinematográfica é visceral, optando por deixar as filmagens de violência em seu estado bruto. Essa escolha não busca chocar, mas sim sensibilizar, aproximando o espectador da angústia daqueles que vivem na linha de frente dessa guerra não declarada. A dor é palpável, a injustiça, evidente.
Este documentário é um chamado à reflexão profunda sobre nossa sociedade e as estruturas que a sustentam. É um grito de revolta contra um sistema que parece valorizar mais a propriedade privada do que a vida humana. A repetição desses episódios de brutalidade policial, ano após ano, é um testemunho da falência de um modelo que se recusa a enxergar a dignidade das vidas negras.
A violência estatal, camuflada sob a justificativa de segurança, expõe a fragilidade de nossa democracia e a hipocrisia das classes dominantes. Cada morte é um lembrete doloroso de que a luta por igualdade e justiça está longe de ser vencida. A indiferença, essa sim, é a verdadeira inimiga.
"Auto de Resistência" nos convida a não apenas assistir, mas a sentir e agir. A mudança começa quando nos recusamos a aceitar o inaceitável, quando nos indignamos com a banalização da violência e quando nos comprometemos a lutar ao lado daqueles que, diariamente, enfrentam a opressão. É um documentário que clama por uma sociedade mais justa, onde a vida humana, independentemente de sua cor ou classe social, seja realmente valorizada.
Pra aqueles que dizem que a policia não pode matar no Brasil.
O Estado, a Justiça são racistas, elitistas e assassinos!
Complicado para ambos os lados. Quando morre um inocente e quando morre um policial no trabalho!
Muito forte mas importante para que se conheça melhor a realidade de muito que acontece na cidade do Rio de Janeiro, impossível não conectar o que é apresentado com Marielle.