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O filme "Aumenta que é Rock 'n Roll" oferece uma imersão nostálgica nos anos 80, capturando a essência de uma era através da história da Rádio Fluminense. Em um período de intensas transformações políticas e sociais no Brasil, a rádio emerge como um símbolo de resistência cultural, oferecendo uma voz aos jovens sedentos por mudanças e expressão artística.
A trama nos apresenta Luiz Antônio, um apresentador desajeitado, que se vê responsável por uma estação de rádio à beira da falência. Com paixão e determinação, ele e sua equipe transformam a Fluminense FM em um ícone do rock brasileiro, desafiando o status quo e abraçando a rebeldia inerente ao gênero musical. As peripécias e dilemas enfrentados por Luiz, incluindo um romance complicado, refletem as tensões e contradições da época.
A produção cinematográfica é um tributo às raízes culturais do rock nacional e à vitalidade de um período marcado pela luta pela liberdade e pela expressão criativa. Ao mesmo tempo, destaca a importância do cinema nacional em contar histórias genuinamente brasileiras, que ressoam de forma profunda e emocional. A falta de reconhecimento e apoio ao cinema brasileiro é um reflexo da desvalorização da cultura local frente à hegemonia das produções estrangeiras.
Essa cinebiografia não apenas revive uma época, mas também convida à reflexão sobre o papel das mídias alternativas e da música como ferramentas de transformação social. A crítica social implícita no filme nos lembra da importância de preservar e celebrar nossa história cultural, reconhecendo os desafios e triunfos daqueles que ousaram sonhar e fazer diferente.
"Aumenta que é Rock 'n Roll" é, portanto, mais que um filme; é um manifesto emocional e social, evocando a saudade de tempos de resistência e criatividade e nos lembrando que a cultura é um pilar essencial da identidade e do progresso de uma nação.
"Alvorada" emerge como um retrato intimista de um momento histórico carregado de tensão, oferecendo um vislumbre singular da vida cotidiana no Palácio do Alvorada durante o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Esse filme, ao contrário das tradicionais análises políticas e jurídicas, humaniza uma figura frequentemente desumanizada pela mídia e pelo discurso político dominante.
Dentro das paredes projetadas por Oscar Niemeyer, o documentário nos convida a refletir sobre a complexa maquinaria do poder. Ao observar as interações entre funcionários, assessores e a presidenta, somos imersos em um microcosmo que revela a profunda disparidade social presente até mesmo nos espaços de maior prestígio. As trocas de guardas, os cochichos nos corredores, e os preparativos na cozinha se tornam símbolos de um Brasil dividido, onde a figura de Dilma, embora central, é apenas uma peça em um vasto tabuleiro.
Há uma poderosa narrativa sobre resiliência e força feminina. Dilma, retratada como uma mulher determinada e convicta, enfrenta a adversidade com uma calma quase filosófica. Sua força é um reflexo de uma compreensão profunda da história e de seu lugar nela. As cenas de Dilma discutindo literatura ou fazendo brincadeiras revelam uma humanidade frequentemente eclipsada pelo espetáculo político.
O documentário, embora limitado em sua abordagem mais profunda sobre Dilma, destaca a importância do espaço físico e das pessoas que o ocupam. As diferenças entre os ambientes que Dilma frequenta e os utilizados pelos funcionários são uma metáfora visual poderosa das desigualdades persistentes em nossa sociedade. A diversidade dentro do Alvorada durante esse período é um lembrete pungente de um Brasil plural, que muitas vezes é silenciado.
A escolha das cineastas de focar na rotina do palácio ao invés de se aprofundar nos aspectos políticos do impeachment pode parecer uma oportunidade perdida para alguns. Contudo, essa decisão narrativa revela um desejo de capturar a essência humana em meio ao poder. Ao invés de uma análise política convencional, o filme nos oferece um estudo sociológico e filosófico sobre a rotina, o espaço e as relações de poder.
"Alvorada" se destaca não apenas pelo que mostra, mas pelo que sugere e oculta. As diretoras, ao documentarem a rotina do palácio, também revelam suas próprias limitações e a intrusão de sua presença. Este jogo de distanciamento e aproximação cria uma camada adicional de reflexão sobre o papel do documentarista e a ética da representação.
Em suma, "Alvorada" não é apenas um documentário sobre Dilma Rousseff ou o Palácio do Alvorada. É uma meditação visual sobre poder, desigualdade e resiliência. Ao capturar a rotina de um período conturbado, o filme nos lembra que, por trás das grandes narrativas históricas, existem momentos cotidianos de luta, esperança e humanidade.
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Vai ser bem legal, abs!
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
bom, to meio perdida pra fazer indicação ahuahaa
e vc tem algum que possa indicar?
O documentário sobre os eventos de 8 de janeiro desperta emoções intensas e contraditórias, sendo uma obra que nos obriga a refletir sobre a fragilidade da nossa democracia e os perigos que ela enfrenta. A montagem, embora criticada por alguns, capta a tensão e a gravidade do momento com uma precisão quase documental, permitindo-nos vislumbrar a linha tênue que separa a ordem do caos.
Vivemos em tempos de profunda transformação social e política, onde a realidade é constantemente contestada por narrativas conflitantes. O documentário revela, com clareza perturbadora, a vulnerabilidade das instituições democráticas diante de ataques coordenados e violentos. As imagens inéditas das câmeras de segurança e as entrevistas com participantes legalistas pintam um quadro alarmante da tentativa de golpe, instigando uma reflexão sobre o papel do indivíduo e da coletividade na manutenção da ordem democrática.
A revolta e o medo são sentimentos palpáveis ao assistir às cenas de confronto e traição, onde forças de segurança se dividem entre defender a lei e proteger os insurgentes. Esta divisão interna revela fissuras profundas na estrutura social, onde ideologias extremistas ameaçam desmantelar os alicerces da convivência civilizada.
A exibição desse documentário em salas de aula é uma ferramenta pedagógica poderosa, não só para relembrar a história recente, mas para ensinar às novas gerações sobre o valor da democracia e a necessidade de vigilância constante. A obra não apenas narra um episódio crítico, mas também serve como um alerta sobre os perigos da polarização e da intolerância.
Ao final, somos deixados com uma mistura de indignação e esperança, lembrando-nos que a luta pela democracia é contínua e requer a participação ativa de todos os cidadãos. O documentário não é apenas um registro dos eventos de 8 de janeiro, mas um convite à reflexão crítica e à ação cidadã em defesa de um futuro mais justo e democrático.