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Data de lançamento
29 Junho 2019Duração
E se você fosse a única pessoa que se lembra dos Beatles? Em “Yesterday”, o músico Jack (Himesh Patel) percebe que existe um estranhamento por partes de seus colegas de faculdade quando ele menciona nomes como Paul McCartney ou John Lennon. Além disso, uma simples procura na internet por ‘Beatles’ sem o resultado esperado também o impressiona.
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O filme não aprofunda a boa ideia inicial, mas entendo a escolha por algo leve e engraçado. Um bom filme pipoca. 02/08/2026
Boa ideia, filme decente
Gostei de assistir, me interessei em saber no que ia dar, no final das contas...
Interessante a premissa de "nunca existiu" para pessoas, empresas e marcas...
Pesquisar por "coke" e aparecer na tela o Pablo Escobar como resultado...
Coca-Cola? Não, só Pepsi...
Engraçado ele pedir durante um vôo por uma "Coke", a cara da comissária...rs rs
Você é um músico medíocre e só está tomando na cabeça, tem um repertório de uma só música, da qual ninguém gosta. Acaba a luz do mundo por 12 segundos, na volta só você se lembra dos Beatles - e da música dos Beatles -, podendo se lançar como um superastro usando todo o repertório de uma das bandas de mais sucesso e impacto cultural da história.
Uma vez sentado no trono de artista mais importante do mundo, a consciência pode te atormentar e te levar a fazer algumas perguntas: Existe plágio se, tecnicamente, eu não copiei nada que já existisse na versão do mundo que eu estou habitando? É errado me passar pelo autor de músicas que nunca serão apresentadas às pessoas, se eu não o fizer, pois seus verdadeiros autores não se lembram da realidade paralela em que as compuseram? Ou o ponto ético está na autoria, eu preciso ter sentido, preciso ser capaz de produzir essa arte, para ser dono dela? Se essa arte me foi "dada" sem eu merecer, não estou no mesmo lugar de pessoas muito talentosas, alguém que, no fundo, foi agraciado por algo insondável?
Se no mundo da arte a glória está reservada aos brilhantes, o que fica para os sonhadores medíocres?
São dilemas muito intrigantes e interessantes que podemos formular por conta própria, já que Yesterday (2019) não faz o menor esforço para explorá-los, dedicando muito de sua energia a um romance formulaico e artificial com a personagem vivida por Lilly James.
Yesterday parece menos um filme de Danny Boyle (que adota aqui uma condução elegante, distanciada da direção nervosa, embalada por montagem frenética que ajudou a popularizar esforços como Transpotting e Quer Quer Ser um Milionário) do que do roteirista Richard Curtis, a mente romântica por trás de Quatro Casamentos e Um Funeral. O roteiro de Curtis tem inúmeros acertos: o retrato que faz da indústria musical equilibra a crítica ácida e o humor escrachado, produzindo cenas eficazes como a "reunião de marketing" e uma personagem que toma de assalto todas as cenas de que participa (a empresária interpretada por Kate McKinnon).
A exploração da premissa, contudo, depende de algumas boas investidas numa direção filosófica ou poética (cito duas cenas específicas: uma que envolve um casal, outra em que o protagonista se encontra com uma versão paralela de uma figura real), mas nunca consegue avançar nessa frente porque ela é obstruída por uma trama romântica que o roteiro fracassa em acoplar organicamente ao centro narrativo - o protagonista tornando-se célebre com a obra dos Beatles.
Disso resultam passagens lamentáveis como aquela em que, num filme de 2019, o interesse romântico do protagonista se queixa de que ele, em vinte anos, nunca chegou nela (e você não fez por quê? E por que só agora?). E essa condição que ela impõe para que o protagonista possa ficar com ela, abdicando de uma carreira que naquele momento parecia merecida? Ela é interesseira, possessiva? Nenhuma das coisas, ela é um não-personagem, um fantoche construído sem verossimilhança para criar obstáculos que o roteiro não conseguiu estabelecer com lastro na maneira como pessoas geralmente se relacionam.
Isso fica especialmente chato no fim, quando
o protagonista se apresenta num show de Ed Sheeran. De acordo com o código de moralidade adotado por Hollywood, estava posto que o filme não terminaria com o protagonista feliz da vida curtindo os frutos de um plágio cósmico, no fim ele acabaria confessando. O cenário armado para tanto foi o mais megalomaníaco possível, a produção conseguiu gravar a cena num show real de Sheeran no estádio de Wembley. A cena, contudo, é frustrante: a revelação sobre não ser o autor das músicas é feita diretamente para a personagem da LJ sem ter nenhuma relação com a relação entre ambos, inclusive porque, se usar essas músicas é errado, o seria querendo ou não dormir com a menina. Além disso, o texto do discurso é fraco demais, um roteirista experiente como Richard Curtis podia ter dado um polimento nessa fala.
Com tudo isso, seria mentiroso eu escrever sobre Yesterday sem dizer que gostei do filme. Ele é ágil, simpático, o talento de Boyle traz vigor ao clichê (a cena dos namoradinhos no túnel, com nomes de músicas literalmente vindo como um trem, é ótima), a manipulação de câmera é esteticamente atraente e, óbvio, é um filme cheio de músicas dos Beatles, que são admirados com bons motivos.
A chave talvez seja essa. Se tem muito Beatles, o filme sai na frente. Se Across The Universe conseguiu valer a pena...
Faltou um molho nesse filme. A premissa era boa mas não consegui me apegar aos personagens.