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Data de lançamento
12 Abril 2021Duração
O filme narra de um ponto de vista íntimo, o dia a dia da presidenta Dilma Rousseff na sua residência oficial, o Palácio do Alvorada, enquanto aguardava o veredito do processo de impeachment. Retratando os corredores do palácio, desenhado por Oscar Niemeyer, vemos o vai de vem de reuniões políticas, o dia a dia da cozinha, a troca de guardas, sussurros e telefonemas. Sentimos a tensão crescente dos funcionários, assessores e ex-ministros.
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- bem documental no sentido estrito da palavra
- se preocupa em mostrar os momentos íntimos da presidenta e do palácio da alvorada nos dias finais antes do golpe
- não tem a força de alguns outros documentários que tratam do mesmo tema mas trás humanidade de sobra
- triste de lembrar e pensar que para verem que ela sempre esteve certa tivemos que passar 4 anos de inferno no brasil
O jus positivismo é um cárcere e um beco sem saída para a política de esquerda. De fato, "deus é uma ausência" e a solução nunca será por idealismo. Abordagem inteligente e bom conceito buscado no documentário.
"Alvorada" emerge como um retrato intimista de um momento histórico carregado de tensão, oferecendo um vislumbre singular da vida cotidiana no Palácio do Alvorada durante o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Esse filme, ao contrário das tradicionais análises políticas e jurídicas, humaniza uma figura frequentemente desumanizada pela mídia e pelo discurso político dominante.
Dentro das paredes projetadas por Oscar Niemeyer, o documentário nos convida a refletir sobre a complexa maquinaria do poder. Ao observar as interações entre funcionários, assessores e a presidenta, somos imersos em um microcosmo que revela a profunda disparidade social presente até mesmo nos espaços de maior prestígio. As trocas de guardas, os cochichos nos corredores, e os preparativos na cozinha se tornam símbolos de um Brasil dividido, onde a figura de Dilma, embora central, é apenas uma peça em um vasto tabuleiro.
Há uma poderosa narrativa sobre resiliência e força feminina. Dilma, retratada como uma mulher determinada e convicta, enfrenta a adversidade com uma calma quase filosófica. Sua força é um reflexo de uma compreensão profunda da história e de seu lugar nela. As cenas de Dilma discutindo literatura ou fazendo brincadeiras revelam uma humanidade frequentemente eclipsada pelo espetáculo político.
O documentário, embora limitado em sua abordagem mais profunda sobre Dilma, destaca a importância do espaço físico e das pessoas que o ocupam. As diferenças entre os ambientes que Dilma frequenta e os utilizados pelos funcionários são uma metáfora visual poderosa das desigualdades persistentes em nossa sociedade. A diversidade dentro do Alvorada durante esse período é um lembrete pungente de um Brasil plural, que muitas vezes é silenciado.
A escolha das cineastas de focar na rotina do palácio ao invés de se aprofundar nos aspectos políticos do impeachment pode parecer uma oportunidade perdida para alguns. Contudo, essa decisão narrativa revela um desejo de capturar a essência humana em meio ao poder. Ao invés de uma análise política convencional, o filme nos oferece um estudo sociológico e filosófico sobre a rotina, o espaço e as relações de poder.
"Alvorada" se destaca não apenas pelo que mostra, mas pelo que sugere e oculta. As diretoras, ao documentarem a rotina do palácio, também revelam suas próprias limitações e a intrusão de sua presença. Este jogo de distanciamento e aproximação cria uma camada adicional de reflexão sobre o papel do documentarista e a ética da representação.
Em suma, "Alvorada" não é apenas um documentário sobre Dilma Rousseff ou o Palácio do Alvorada. É uma meditação visual sobre poder, desigualdade e resiliência. Ao capturar a rotina de um período conturbado, o filme nos lembra que, por trás das grandes narrativas históricas, existem momentos cotidianos de luta, esperança e humanidade.
Não esperem um documentário sobre a conjuntura política ou o processo de impeachment (golpe) contra a presidenta Dilma. O filme vai abordar, assim como diz a sinopse, o cotidiano do palácio da alvorada, morada provisória da presidenta durante o período de julgamento, e da própria Dilma. Essa é uma visão única, diferente dos demais que se propõem em ir a fundo nas questões políticas e jurídicas. Aqui não, vemos uma mulher forte, mas humana, diferente daquela visão que pintaram de uma pessoa grosseira e intransigente. Em meio a uma injustiça tão grande, Dilma não se deixa abater ou esquece suas convicções. É um documentário diferente do que talvez as pessoas esperam, mas nem por isso é ruim.
Senti falta, de fato, da personagem nesse documentário. Mas enquanto registro do dia a dia do palácio, achei interessante. Arquitetos acho que também vão gostar, porque há mais cenas dos espaços do que falas da presidente. Nesse sentido, acho que o nome do filme faz jus