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O menino Badou, um jovem delinquente, vive aprontando em sua cidade, perturbando a paz de todos que o cercam. Sua fama consagra-o como uma das figuras mais procuradas pela polícia, que nunca consegue alcançá-lo. Enquanto isso, um mendigo cego sobrevive de sua humilde música, denunciando através do canto uma série de injustiças sociais. Com este primeiro longa, o diretor Mambéty passou a ser considerado uma espécie de 'Godard Negro'.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
seminário de cinemas africanos!!
dizer o que depois desses comentários abaixo. Mambéty é um presente para a história do cinema.
Dos resquícios da influência de Jean Rouch no primevo cinema negro africano, aqui talvez esteja o uso mais original e ressignificado desta. Na verdade é tão pessoal e significante, que nos resta, até pelo tempo de vida que passamos sem conhecer o Mambety, compará-lo com o que há de mais autoral na história do cinema pra compreendê-lo. Um guarda eiseinsteniano, um marginal à la Godard, mas sobretudo um percurso estético por uma realidade estritamente africana, onde solidariedade e repressão se misturam numa cidade de contrastes que insiste em repetir o status quo pré independência.
A sinopse é mero pretexto, 'mcguffin' revoltoso: o grande clímax do filme é o longo percurso de ônibus, em que vários estratos combativos da sociedade africana sub-saariana interagem, em meio a uma narração plurivocal que lembra muito os filmes marginais da Boca do Lixo (sobretudo os de Ozualdo Candeias) e uma versão centrífuga daquilo que era feito de fora pelo Jean Rouch: o modo como o diretor dribla as dificuldades de interpretação do elenco via dublagem é digno de aplausos demorados. Por vezes, a montagem soa como um 'making-of' e, neste sentido, nem sempre funciona na prática, mas, enquanto tentativa, enquanto clamor, enquanto necessidade expressiva sem concessões, o filme é um verdadeiro achado. nem sempre confortável, mas tão dotado de poesia urbana quanto algo dirigido pelo Albert Lamorisse. Erroneamente maravilhoso, convite à rebelião e ao questionamento de "justiças" institucionalizadas que não satisfazem nem tampouco avaliam adequadamente os fatos.E, por mais que o tom dominante seja de comédia, o desfecho, mais uma vez é um retorno á tragédia cotidiana das favelas senegalesas... Que também não estão cerradas perante um novo surto de rebelião (que haja música, muita música!). WPC>