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Duração
Para quem não sabe, “bagatela” quer dizer ninharia, algo sem valor. Um crime de bagatela, do ponto de vista jurídico, é aquele que envolve valores insignificantes. Paradoxalmente, no Brasil, estes parecem ser crimes gravíssimos e seus autores indivíduos de alta periculosidade. O documentário acompanha a história de Maria Aparecida e Sueli, mulheres presas por pequenos furtos, e de Sônia Drigo, uma advogada que, voluntariamente, se propôs a defendê-las. Maria foi presa pela tentativa de furto de um xampu e um condicionador de R$24,00 e perdeu a visão de um olho na cadeia. Sueli tentou furtar um queijo e dois pacotes de bolachas, no valor de R$30,00, e passou quase dois anos presa.
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O retrato do poder judiciário brasileiro: majoritariamente racista e classista. Sobre o juiz Airton Vieira, que tem uma visão da sociedade brasileira extremamente distorcida e que defende um punitivismo severo e generalista, foi o mesmo que absolveu um fazendeiro rico que estuprou duas menores pouco tempo depois das filmagens.
No começo de 2019, quando eu fazia estágio no fórum criminal da Barra Funda, minha supervisora, uma psicóloga, recebeu em atendimento uma moça que havia sido presa anteriormente por um furto de xampu e que, na prisão, perdeu a visão de um olho. Era justamente a moça retratada nesse documentário. Era um novo processo de furto e, como na situação relatada no documentário, ela claramente se encontrava em um estado de desorganização mental. Ao contrário do começo dos anos 2000, hoje existem as audiências de custódia, o que permitiu que ela pudesse aguardar o andamento do processo em liberdade. Foi encaminhada para a rede de serviços do município e não tivemos mais noticias dela. Como esse processo de 2019 não consta no site do Tribunal de Justiça, acredito que não teve andamento.
Quanto à "doutora" Patrícia Alvares Cruz, responsável pela manutenção da primeira prisão da moça, também tive a infelicidade de conhecer durante meu período de estágio. Não se difere muito do juiz desconectado da realidade entrevistado nesse documentário. Sensatez não é o forte dos dois.
Simples, direto e revoltante :(
Lindo documentário!
Meu deeeeuss dava uma vontade enorme de parar de ver em todas as vezes que esse juiz Airton Vieira falava aaaa e mais triste ainda é saber que esse pensamento seletivamente punitivista é tão comum :(