Grande vencedor do Teddy Bear na Berlinale de 2026, prêmio entregue a obras de temática LGBTQIAPN+, o documentário de estreia de Brydie O'Connor é uma homenagem de corpo e alma a uma cineasta independente que marcou a cena da contracultura novaiorquina dos anos 60 e 70, Barbara Hammer (1939-2019). O filme acompanha o legado deixado por ela na fotografia, no cinema e na videoarte, com seus trabalhos ousados sobre o corpo feminino e questões de gênero. Barbara deixou marcas tanto no cinema experimental quanto na arte contemporânea ao trazer para o centro da discussão as experiências lésbicas e feministas vividas por ela e por suas companheiras. Construiu uma carreira original, produzindo mais de 90 obras audiovisuais entre filmes, fotografias, performances, videoarte, colagens e instalações, inspirada por nomes como a diretora Maya Deren. Explorou técnicas visuais inovadoras, desde montagem fragmentada a sobreposição de imagens e experimentações com o corpo em movimento, criando uma linguagem única que desafiava convenções abrindo espaço para formas diferentes de representação (num período em que havia uma profusão de novidades no campo das artes visuais, décadas de 60 e 70). A obra de Barbara é pioneira porque, em uma época em que a homossexualidade feminina era invisibilizada, colocou o desejo e a intimidade entre mulheres como protagonistas, em filmes que chegaram a festivais, como “Dyketactics” (1974), “Women I love” (1976) e “Nitrate kisses” (1992), este exibido em Toronto e Sundance. Parte de seus longas e curtas-metragens tornaram-se marcos do cinema queer ao exibir o afeto e a sexualidade lésbica de maneira poética, muito libertadora. O documentário traz momentos de sua vida privada, declarações e depoimentos antigos e atuais, com ela mesma em perspectiva e muito da colaboração de sua esposa, a ativista de direitos humanos Florrie Burke, que ajudou na finalização do filme. No terço final, os momentos mais duros: a descoberta do câncer de Barbara, que a levou a fazer trabalhos sobre a finitude da vida. O doc também foi premiado em Sundance desse ano, e é um dos grandes documentários da temporada. No festival Olhar de Cinema está na seção “Exibições especiais” e conta com mais uma exibição, amanhã, dia 13/06. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Grande vencedor do Teddy Bear na Berlinale de 2026, prêmio entregue a obras de temática LGBTQIAPN+, o documentário de estreia de Brydie O'Connor é uma homenagem de corpo e alma a uma cineasta independente que marcou a cena da contracultura novaiorquina dos anos 60 e 70, Barbara Hammer (1939-2019). O filme acompanha o legado deixado por ela na fotografia, no cinema e na videoarte, com seus trabalhos ousados sobre o corpo feminino e questões de gênero. Barbara deixou marcas tanto no cinema experimental quanto na arte contemporânea ao trazer para o centro da discussão as experiências lésbicas e feministas vividas por ela e por suas companheiras. Construiu uma carreira original, produzindo mais de 90 obras audiovisuais entre filmes, fotografias, performances, videoarte, colagens e instalações, inspirada por nomes como a diretora Maya Deren. Explorou técnicas visuais inovadoras, desde montagem fragmentada a sobreposição de imagens e experimentações com o corpo em movimento, criando uma linguagem única que desafiava convenções abrindo espaço para formas diferentes de representação (num período em que havia uma profusão de novidades no campo das artes visuais, décadas de 60 e 70). A obra de Barbara é pioneira porque, em uma época em que a homossexualidade feminina era invisibilizada, colocou o desejo e a intimidade entre mulheres como protagonistas, em filmes que chegaram a festivais, como “Dyketactics” (1974), “Women I love” (1976) e “Nitrate kisses” (1992), este exibido em Toronto e Sundance. Parte de seus longas e curtas-metragens tornaram-se marcos do cinema queer ao exibir o afeto e a sexualidade lésbica de maneira poética, muito libertadora. O documentário traz momentos de sua vida privada, declarações e depoimentos antigos e atuais, com ela mesma em perspectiva e muito da colaboração de sua esposa, a ativista de direitos humanos Florrie Burke, que ajudou na finalização do filme. No terço final, os momentos mais duros: a descoberta do câncer de Barbara, que a levou a fazer trabalhos sobre a finitude da vida. O doc também foi premiado em Sundance desse ano, e é um dos grandes documentários da temporada. No festival Olhar de Cinema está na seção “Exibições especiais” e conta com mais uma exibição, amanhã, dia 13/06. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom