No Japão, após a morte do Sr. Masago, sua esposa, Satomi Masago, perde a empresa de cosméticos da família para o sr. Mogy devido à enorme quantidade de dívidas contraída por seu marido. O sr. Mogy chantageia a irmã de Satomi para que ela se case com ele em troca de não mandar Satomi para a cadeia. Satomi entende equivocadamente que a irmã está tendo um caso com seu inimigo e funda uma empresa de cosméticos para competir com a de seu rival, tornando-se uma grande executiva e jurando vingança a quem afastou sua família dos negócios.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Nesse "Batalha de Rosas" a técnica do Naruse ainda se encontra excessivamente travada, o que prejudica a estética do filme e, até mesmo, uma compreensão mais plena da trama. A verdade é que a história hermética entre três irmãs que precisam lidar com os homens e com seus deveres de empreendedorismo é burocrática demais para cativar. Como pontos positivos, claro, de se destacar a assinatura do cineasta em sempre buscar retratar os dramas femininos do Japão de sua época - chegando até mesmo ao vanguardismo de propor uma moça que exige um casamento com casas separadas, para poder manter sua independência. Mas no geral, "Batalha de Rosas" parece um amontoado bagunçado de ideias ainda verdes que seriam melhor refinadas em filmes futuros do diretor.
Nada é por acaso: por algum motivo, tive acesso à filmografia naruseana fora da ordem cronológica. Se eu tivesse visto este filme antes dos outros, não focaria tão apaixonado por ele: o tom aqui é melodramático sirkiano, num viés industrial. A obsessão pelas relações familiares aparece através das ações de três irmãs que trabalham para uma revista de moda, e envolvem-se em inúmeros escândalos de poder. Porém, os intervalos elíticos são tão abruptos e as situações são tão ocidentalizadas (quiçá numa crítica ao despejo de cosmopolitismo sobre o japão do pós-II Guerra) que fica difícil entender adequadamente as tramas e nutrir simpatia pelas personagens. Uma delas, a mais nova, cativa-nos pela inocência e pela impressionante cena do quase-assassinato na banheira, mas o filme alonga-se por tempo demasiado, é cansativo e um tanto frio, não obstante as convenções obedecidas de gênero. Não agradou-me suficientemente... (WPC>)
Produção japonesa em preto e branco baseada no romance "Bara kassen", de Fumio Niwa (1904-2005), dirigida pelo incansável Mikio Naruse (1905-1969), que tem quase 100 filmes realizados em sua carreira, foi um dos expoentes cineastas da Era de Ouro do cinema japonês do pós-guerra.
Sendo o 1° filme que assisto deste diretor, achei nada mais do que razoável, pois tem personagens demais, e nada atraente acontecendo na vida de nenhum deles. Apesar do ritmo mais medido da segunda metade, "A batalha das rosas" ainda não consegue frear com força suficiente para dar às cenas climáticas o peso que parecem exigir. Essa estranha falta de ênfase é especialmente notável
na cena final da reconciliação entre irmãs.
Dentro da filmologia do Mikio Naruse, Batalha De Rosas é um filme destacado. Totalmente diverso do local comum de alguns de seus filmes, uma trama bem à frente do seu tempo, falando mais abertamente de sexo do que qualquer outro filme japonês que eu tenha assistido na época e em muitos anos depois. Se fosse em meados dos anos 1960, seria mais natural. Mas em 1950, quando foi lançado, no cinema japonês ainda era comum um certo ar de ingenuidade nos dramas familiares.
Eu mesmo assisti A Volta de Carmen do Keisuke Kinoshita, que tinha como personagem principal uma stripper. Mesmo com essa trama mais adulta e "avançada", o filme tem um tom cômico para tornar o tema mais ameno, mais inocente. Batalha das Rosas, esse não tem nada disso, pelo contrário, é um filme extremamente realista. Já vi 11 filmes do Naruse, e se esse não foi o melhor, foi na pior das hipóteses o segundo melhor que já vi do diretor.