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Aos 18 anos, Laura começa a ter experiências estranhas que confundem a linha entre sua realidade, sonhos e espiritualidade. Ruídos constantes a acompanham desde o momento em que ela acorda, fazendo-a questionar o que é real e o que é imaginado. À medida que a fronteira entre os mundos material e espiritual se dissolve, Laura deve enfrentar suas dores, medos e desejos ... Ler tudo
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Acompanho com interesse e empolgação as produções sergipanas, mesmo que, em diversas ocasiões, os projetos anunciem a vinculações a estratégias "seguras" de adesão tramático-discursiva, preferindo a continuidade em relação ao que fôra feito recentemente por outrem que a imersão no risco. Aqui, o que poderia ser um demérito revela-se positivo: nota-se a constatação de um universo comum de referências, que seduz imediatamente quem já apreciara produções como ESPELHO, de Luciana Oliveira, ou o recente A MINHA SAUDADE NUM RETRATO EU GUARDEI, com uma relação assemelhada entre mãe e filha. Porém, Lucy Andrade ousa ao empurrar a narrativa para uma crítica ao (auto)aprisionamento, numa espiral quase lynchiana ou dereniana pelas temporalidades paralelas, pelo chamado da religiosidade espontânea, em detrimento das imposições coloniais e dos assédios machistas, que perseguem a protagonista. Gosto muito da segurança interpretativa da ótima Amanda Rodri e acho interessantíssima a direção de arte do filme, em que a efígie negra de Jesus Cristo é notada na residência de uma matriarca católica. O desenho de som é muito bom, bem como a trilha musical de Janaína Vasconcelos. Tecnicamente, o filme é esmerado. Faltava apenas maior estímulo ao desenvolvimento de situações e personagens, o que talvez dependesse de uma duração estendida. Seja como for, a mensagem é clara (óbvia demais, talvez) e o apelo emocional atingirá em cheio quem já lidou com os componentes dramáticos abordados pelo roteiro. Gracioso, para além das convenções! (WPC>)