"Black", uma versão thriller, tensa e violenta de Romeu e Julieta, encenada entre as gangues do desfavorecido distrito de Molenbeek em Bruxelas, acusado de fomentar ataques suicídas.
O roteiro sugere que a Mavela seria uma personagem dividida, mas a personagem não se mostra em nenhum momento dividida. Achei isso estranho, mas não deixa de ser um filme que envolve e sensibiliza.
Black, um filme e uma declaração militante que deixa um sentimento de desesperança e olhos umedecidos diante da violência implacável de uma sociedade que sacrifica uma geração inteira em nome da indiferença. O filme não foi lançado nos cinemas por causa das brigas que eclodiram durante as primeiras exibições. Também em nome da censura que prevalece, desde certos ataques, e que significa que certas verdades não são mais boas de se dizer. Deve-se admitir que esde filme, como outros antes dele (Train d'Enfer, por exemplo), tem dupla leitura, no mínimo. Por um lado, a violência dos guetos urbanos dá credibilidade a teses de extrema-direita e, por outro, a marginalidade dessa violência mostra que a estigmatização é um erro. A verdade está no meio, admitindo uma realidade sem generalizá-la. Mostra também que, independentemente dos subúrbios, concentrar a mesma população no mesmo lugar e sob as mesmas condições sociais leva ao mesmo resultado, principalmente quando ela se movimenta e sempre tem alguém a lhe mostrar o dedo e dizer "fique em seu lugar". O filme foi, e creio que ainda é, apresentado como a história de Romeu e Julieta do subúrbio bela da modernidade. Mas não o é afirmo! Black mostra, talvez a contragosto da direção, que a periferia é lugar de pobre e que quem de lá provém não terá espaço fora do seu quadrado; obviamente que um ou outro obterá sucesso, mas isso será exceção que confirmará a regra. Não há aqui nenhuma questão religiosa, apenas a da amizade, do amor e da família. A câmera está no limite como os nervos do público, nós vamos de cena em cena como vamos de dor em dor, enfrentando essa juventude que está sendo enganada. R'n'B, a música de rua dos exibicionistas, dá ritmo aos pequenos furtos e grandes crimes das personagens com um ritmo implacável, estabelecendo a partitura para atores mais reais que a realidade, que se entregam de corpo e alma a esse filme, como alguém se entrega a uma causa justa. Um filme moralmente e fisicamente esgotante, Black guarda um espelho impiedoso para nossas responsabilidades coletivas, as de uma sociedade baseada no poder, no equilíbrio de poder e na posse tanto de pessoas quanto de coisas. Valores que, ao final, quebram rapidamente a face de nossa civilização, assim que as regras humanas de convivência desaparecem, como nos subúrbios do mundo. Black é um thriller dramático belga de Adil El Arbi e Bilall Fallah, dois jovens cineastas que se comprometeram a adaptar o romance Black and Back do escritor Dirk Bracke. Mavela é uma menina afro-flamenga do Bronx Negro, Marwan é um jovem marroquino que se junta à gangue rival 1080. O encontro deles na delegacia de polícia é um momento encantador de flerte divertido, pelo menos tanto quanto o amor deles será tragicamente impossível. Tentará ainda abrir caminho por meio de uma espiral de violência infernal de intensidade radical. E "radical" é a palavra que melhor define o empreendimento dessa dupla enérgica. Acertando contas, batalhas sangrentas, assaltos, estupros de gangues, Black oferece uma cartografia assustadora e sulfurosa do meio em que entra. Mas, calma lá com o andor, porque o santo não poderá ser santo! O filme é assustador, eivado de clichês baratos, repleto de fetiches racistas e, extremamente xenófobo e faz tudo isso acreditando que Romeu e Julieta será o tema a reinar no quadro pavoroso apresentado. Vejam o filme e tirem suas conclusões; a impressão que tenho é que a Europa finge que nunca foi colonizadora, e que o ocorreu além mar não lhe diz respeito...a Bélgica é pródiga nesse papel!
É uma versão contemporânea do clássico de Romeu & Julieta de Shakespeare. É situada em uma das cidades européias que mais abarca o multiculturalismo que é Bruxelas, na Bélgica. É sobre o amor impossível entre uma garota negra congolesa e um marroquino em que nada fica no caminho do amor dos dois, exceto os grupos rivais a que pertencem.
Em alguns aspectos, não é diferente das outras dezenas de romances adolescentes que encontram o mesmo caminho para as tela ano após ano. O que difere dos demais é a ousadia da trama em traçar comentário social pungente, o elenco talentoso formado por não-profissionais e dos diretores que conduzem tudo com muita energia.
A trama retrata a violência que ocorre em Bruxelas de maneira brutal, como resultado de uma cultura crescente de gangues levantadas a partir de altas taxas de evasão escolar e desemprego juvenil. Traça uma possível causa, estes jovens acreditam que a cor de sua pele os mantém longe de progredir dentro da sociedade belga, e se colocam diretamente à margem de uma sociedade seletiva e racista, e o único lugar em que se sentem aceitos são dentro destas comunidades singulares.
Curiosamente os diretores Adil El Arbi e Bilall Fallah são marroquinos e tendem a minimizar o retrato da gangue de marroquinos como pequenos criminosos que roubam sapatos, cartões de crédito e lançam Coquetéis Molotov na policia. O retrato é tão tendencioso que ganha ares encantadores, e até mesmo de nobres honrados. Enquanto, a gangue de africanos é repetidamente, insistentemente e irresponsavelmente definida como viciosos, estupradores e repugnantes. De dar medo!
A validação ou não destes retratos não enfraquecem a trama, a brutalidade dos eventos parece ser um extensão do jogo. Algo que historicamente o Cinema europeu tenciona a evitar. E este é um aviso para aqueles que pretendem ver o filme, é realmente brutal. Os diretores não se coíbem de capturar alguns dos aspectos mais difíceis da violência sexual infligida contra as personagens femininas.Apesar da inevitabilidade de sua trajetória Shakespeariana, o filme é fascinante com um clímax visceralmente carregado de ação, tensão, paixão e tragédia. É um filme imperdível.
O roteiro sugere que a Mavela seria uma personagem dividida, mas a personagem não se mostra em nenhum momento dividida. Achei isso estranho, mas não deixa de ser um filme que envolve e sensibiliza.
Black, um filme e uma declaração militante que deixa um sentimento de desesperança e olhos umedecidos diante da violência implacável de uma sociedade que sacrifica uma geração inteira em nome da indiferença. O filme não foi lançado nos cinemas por causa das brigas que eclodiram durante as primeiras exibições. Também em nome da censura que prevalece, desde certos ataques, e que significa que certas verdades não são mais boas de se dizer. Deve-se admitir que esde filme, como outros antes dele (Train d'Enfer, por exemplo), tem dupla leitura, no mínimo. Por um lado, a violência dos guetos urbanos dá credibilidade a teses de extrema-direita e, por outro, a marginalidade dessa violência mostra que a estigmatização é um erro. A verdade está no meio, admitindo uma realidade sem generalizá-la. Mostra também que, independentemente dos subúrbios, concentrar a mesma população no mesmo lugar e sob as mesmas condições sociais leva ao mesmo resultado, principalmente quando ela se movimenta e sempre tem alguém a lhe mostrar o dedo e dizer "fique em seu lugar". O filme foi, e creio que ainda é, apresentado como a história de Romeu e Julieta do subúrbio bela da modernidade. Mas não o é afirmo! Black mostra, talvez a contragosto da direção, que a periferia é lugar de pobre e que quem de lá provém não terá espaço fora do seu quadrado; obviamente que um ou outro obterá sucesso, mas isso será exceção que confirmará a regra. Não há aqui nenhuma questão religiosa, apenas a da amizade, do amor e da família. A câmera está no limite como os nervos do público, nós vamos de cena em cena como vamos de dor em dor, enfrentando essa juventude que está sendo enganada. R'n'B, a música de rua dos exibicionistas, dá ritmo aos pequenos furtos e grandes crimes das personagens com um ritmo implacável, estabelecendo a partitura para atores mais reais que a realidade, que se entregam de corpo e alma a esse filme, como alguém se entrega a uma causa justa. Um filme moralmente e fisicamente esgotante, Black guarda um espelho impiedoso para nossas responsabilidades coletivas, as de uma sociedade baseada no poder, no equilíbrio de poder e na posse tanto de pessoas quanto de coisas. Valores que, ao final, quebram rapidamente a face de nossa civilização, assim que as regras humanas de convivência desaparecem, como nos subúrbios do mundo. Black é um thriller dramático belga de Adil El Arbi e Bilall Fallah, dois jovens cineastas que se comprometeram a adaptar o romance Black and Back do escritor Dirk Bracke. Mavela é uma menina afro-flamenga do Bronx Negro, Marwan é um jovem marroquino que se junta à gangue rival 1080. O encontro deles na delegacia de polícia é um momento encantador de flerte divertido, pelo menos tanto quanto o amor deles será tragicamente impossível. Tentará ainda abrir caminho por meio de uma espiral de violência infernal de intensidade radical. E "radical" é a palavra que melhor define o empreendimento dessa dupla enérgica. Acertando contas, batalhas sangrentas, assaltos, estupros de gangues, Black oferece uma cartografia assustadora e sulfurosa do meio em que entra. Mas, calma lá com o andor, porque o santo não poderá ser santo! O filme é assustador, eivado de clichês baratos, repleto de fetiches racistas e, extremamente xenófobo e faz tudo isso acreditando que Romeu e Julieta será o tema a reinar no quadro pavoroso apresentado. Vejam o filme e tirem suas conclusões; a impressão que tenho é que a Europa finge que nunca foi colonizadora, e que o ocorreu além mar não lhe diz respeito...a Bélgica é pródiga nesse papel!
É uma versão contemporânea do clássico de Romeu & Julieta de Shakespeare. É situada em uma das cidades européias que mais abarca o multiculturalismo que é Bruxelas, na Bélgica. É sobre o amor impossível entre uma garota negra congolesa e um marroquino em que nada fica no caminho do amor dos dois, exceto os grupos rivais a que pertencem.
Em alguns aspectos, não é diferente das outras dezenas de romances adolescentes que encontram o mesmo caminho para as tela ano após ano. O que difere dos demais é a ousadia da trama em traçar comentário social pungente, o elenco talentoso formado por não-profissionais e dos diretores que conduzem tudo com muita energia.
A trama retrata a violência que ocorre em Bruxelas de maneira brutal, como resultado de uma cultura crescente de gangues levantadas a partir de altas taxas de evasão escolar e desemprego juvenil. Traça uma possível causa, estes jovens acreditam que a cor de sua pele os mantém longe de progredir dentro da sociedade belga, e se colocam diretamente à margem de uma sociedade seletiva e racista, e o único lugar em que se sentem aceitos são dentro destas comunidades singulares.
Curiosamente os diretores Adil El Arbi e Bilall Fallah são marroquinos e tendem a minimizar o retrato da gangue de marroquinos como pequenos criminosos que roubam sapatos, cartões de crédito e lançam Coquetéis Molotov na policia. O retrato é tão tendencioso que ganha ares encantadores, e até mesmo de nobres honrados. Enquanto, a gangue de africanos é repetidamente, insistentemente e irresponsavelmente definida como viciosos, estupradores e repugnantes. De dar medo!
A validação ou não destes retratos não enfraquecem a trama, a brutalidade dos eventos parece ser um extensão do jogo. Algo que historicamente o Cinema europeu tenciona a evitar. E este é um aviso para aqueles que pretendem ver o filme, é realmente brutal. Os diretores não se coíbem de capturar alguns dos aspectos mais difíceis da violência sexual infligida contra as personagens femininas.Apesar da inevitabilidade de sua trajetória Shakespeariana, o filme é fascinante com um clímax visceralmente carregado de ação, tensão, paixão e tragédia. É um filme imperdível.