Dentre todos os componentes fílmicos deste "Pelotasverso", este é o enredo que mais desperta empatia em relação aos personagens, inclusive quanto ao mau humor contínuo do pelego interpretado pelo muso Leandro Gomes. Paradoxalmente, é justamente tal aspecto que fez com que eu não apreciasse tanto o curta-metragem (não obstante o inequívoco fascínio e identificação - mediada pela alteridade - que ele provoca) no cotejo com seus "primos fílmicos", pois eu quis que ele durasse mais, quis ouvir mais aqueles homens sofridos, cansados, carentes, explorados física e espiritualmente... A situação do boné é indignante, mas infelizmente recorrente naquele tipo de espaço de convivência forçada. Um dos diretores adiantou que os monólogos advêm de relatos verídicos dos trabalhadores, o que é evidente na própria feitura da obra, com apanágios documentais (vide o aproveitamento dos nomes verdadeiros dos intérpretes para os personagens). Intrigante foi perceber que, não importa o quanto Leandro varresse aquele chão, enquanto vigiava as tarefas dos outros, tudo permanecia sujo. Doloroso desfecho, em que até mesmo o suicídio parecia mais consolador que a constatação de uma greve. Para quem aprecia os dilemas proletários de roteiros como os de ELES NÃO USAM BLACK-TIE ou o recente ARÁBIA, trata-se de um complemento benfazejo. Não obstante não ter o mesmo impacto que as demais obras citadas, trata-se de um filme poderoso, em sua conjuntura emocional e reivindicativa! (WPC>)
Dentre todos os componentes fílmicos deste "Pelotasverso", este é o enredo que mais desperta empatia em relação aos personagens, inclusive quanto ao mau humor contínuo do pelego interpretado pelo muso Leandro Gomes. Paradoxalmente, é justamente tal aspecto que fez com que eu não apreciasse tanto o curta-metragem (não obstante o inequívoco fascínio e identificação - mediada pela alteridade - que ele provoca) no cotejo com seus "primos fílmicos", pois eu quis que ele durasse mais, quis ouvir mais aqueles homens sofridos, cansados, carentes, explorados física e espiritualmente... A situação do boné é indignante, mas infelizmente recorrente naquele tipo de espaço de convivência forçada. Um dos diretores adiantou que os monólogos advêm de relatos verídicos dos trabalhadores, o que é evidente na própria feitura da obra, com apanágios documentais (vide o aproveitamento dos nomes verdadeiros dos intérpretes para os personagens). Intrigante foi perceber que, não importa o quanto Leandro varresse aquele chão, enquanto vigiava as tarefas dos outros, tudo permanecia sujo. Doloroso desfecho, em que até mesmo o suicídio parecia mais consolador que a constatação de uma greve. Para quem aprecia os dilemas proletários de roteiros como os de ELES NÃO USAM BLACK-TIE ou o recente ARÁBIA, trata-se de um complemento benfazejo. Não obstante não ter o mesmo impacto que as demais obras citadas, trata-se de um filme poderoso, em sua conjuntura emocional e reivindicativa! (WPC>)