Dirigido por
Duração
Basicamente trata-se de um filme para ser ouvido, não para ser visto. Ver o escuro nesse caso é ouvir mais, e Monteiro transforma a ausência, nesse caso ausência de cor, em caminho, caminho para alargar a percepção. Através da tela preta temos Branca de Neve, o Príncipe, a Madrasta e o Caçador, em um diálogo profundo, às vezes denso demais, às vezes verdadeiro demais, sobre amor, livre arbítrio, destino e vontade.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Marília Mendonça: Sentimento Louco
- Ai de mim que tenho de ouvir isto
- Ai de nós que tive de ver aquilo
Cinema que não se faz apenas com imagens. Sons que criam novas imagens que não precisam de nenhuma representação. Uma desconstrução de linguagem e de falsas histórias que consumimos durante toda a vida. Esse não é um filme para ver em uma sala de cinema. FODA!
Um dos filmes mais polêmicos e estranhos já feitos em Portugal, “Branca de Neve”, obra de João César Monteiro adaptada do clássico conto de Robert Walser, incita reflexões sobre o próprio conceito de cinema. As poucas imagens que Monteiro exibe são algumas fotos de Walser morto na neve, alguns instantes de um céu azul e a sua própria imagem no final, todo o restante da película de 70 minutos é formado pela ausência de qualquer imagem, ou seja, pura escuridão. Trata-se de um filme para ser ouvido no cinema. O que se vê, ou melhor, o que se ouve, são os atores interpretando o texto como numa peça de teatro. Diante da tela vazia, resta ao espectador dar asas a imaginação.
Com certeza, uma das experiências mais inusitadas que se podem ter com um filme, daqueles que causam um leve impacto devido à estranheza inicial pelo modo que é conduzido.
Este "Branca de Neve" do J. César Monteiro flerta, pelo que percebi, abertamente com a literatura, pois a sensação que me passou logo de início foi que eu estava "assistindo" uma representação teatral de uma obra shakesperiana- só que de luzes apagadas. Talvez a sacada do realizador seja justamente a de reivindicar algo supremo na 7° Arte, que é a imagem, em prol de sua ausência. Só que a ausência é entre aspas, pois nossa imaginação ajuda a preencher esse vácuo no filme. Ou seja, o próprio espectador faz parte do processo criativo para a concepção do filme e isso é realmente algo interessante, a meu ver. Meu único porém é em relação à sua duração que, apesar de ser relativamente curta para os padrões de tempo de um filme comum, me gerou uma certa fadiga. Não querendo desmerecer o longa, mas confesso que me seria mais interessante se fosse um pouco menor, ainda mais pela proposta exigir tanto do espectador.
Alguém pode me dizer onde consigo o link deste filme para download?