A diretora Elizabeth Sankey explora as conexões entre saúde mental pós-parto e a imagem das bruxas na tradição anglo-europeia e na cultura pop. Entrelaçando experiências pessoais com registros históricos e cinematográficos, ela cria um novo círculo de mulheres para reescrever essas histórias.
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durante séculos, mulheres foram chamadas de bruxas por conhecerem ervas, por não se casarem, por herdarem terras, por recusarem obediência, por serem velhas, por serem livres, por amarem outras mulheres, por serem inconvenientes. a fogueira nunca foi sobre o mal, foi sobre poder, especialmente o poder dos homens.
o que nos ensinaram com histórias infantis, com contos, com filmes, com advertências disfarçadas de fantasia, é que existe um preço para desobedecer. e nós aprendemos.
aprendemos a vigiar umas às outras, a corrigir o tom da outra, a julgar o corpo da outra, a decidir quem merece ser salva e quem pode ser queimada.
a divisão nunca foi natural, foi estratégia. porque mulheres juntas são ameaça, mas mulheres divididas sustentam o sistema que as oprime.
a bruxa má não é um desvio, ela é um aviso.
e a bruxa boa não é uma escolha, ela é uma adaptação.
no fim, nenhuma de nós escapou completamente, só ocupamos lugares diferentes na mesma narrativa que continua sendo escrita para nos conter e talvez o gesto mais radical não seja provar que somos boas ou ruins, mas recusar a história inteira. recusar o papel, recusar a divisão, recusar a obediência disfarçada de virtude.
e então, sim, aceitar o risco de sermos chamadas de loucas. porque toda mulher que rompe com a lógica que a domestica sempre foi chamada assim. e talvez não seja na loucura que nos perdemos, mas exatamente onde nos tornamos impossíveis de controlar.
Que filme incrível e NECESSÁRIO.
A montagem do filme com cenas de diversos outros filmes de bruxa é impecável.
Como que eu nunca tinha associado a caça às bruxas ao nascimento da Medicina?
Que todas as bruxas se sintam abraçadas e amadas! Que filme triste mas necessário!