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São feitas apenas três perguntas aos entrevistados: em que ano você nasceu, quem é você e o que você mais deseja. Começando com um entrevistado recém-nascido, as mesmas perguntas vão sendo feitas até chegar à última entrevistada, uma senhora de mais de um século.
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O curioso é que observamos algo em comum: a criança de dois anos não quer nada, e a viúva de Stanisław também não. Idades tão distantes e desejos iguais. Como sempre, aquela pergunta simples e, ao mesmo tempo, a mais desafiadora: defina quem é você... Por fim, acredito que complicamos muito a vida enquanto crescemos (percebe-se que as respostas são muito elaboradas) e, ao passar da juventude, fica mais claro que a essência da nossa existência não está no "querer" (talvez, apenas em continuar vivendo como a senhora chegou aos cem anos de idade).
A ideia é boa, rende algumas boas passagens, mas de um modo geral achei o resultado mediano. As respostas dos entrevistados achei muito subjetivas e de certa forma muito parecidas umas com as outras. Tanto que com exceção da última nenhuma se destacou para mim.
Simples, paradoxal, complexo, espontâneo, a câmera dá luz a uma diversidade atemporal, lindo.
Este trabalho de Krzysztof Kieslowski, respeitada a questão espaço-temporal, é um verdadeiro passeio pela dimensão mais profunda e verdadeira do ser humano. Vale dizer, não obstante estejamos diante de perguntas que não se sujeitam à ação do tempo e, tampouco, sofrem por distinções geográficas, a ideia central desse irretocável curta-metragem revela a enorme sensibilidade do diretor para aquilo que se pode designar por "existencialismo", uma vez que se preocupa em incluir no centro da análise a realidade concreta de cada indivíduo.
Krzysztof Kieslowski com uma simplicidade incrível e, completamente, atemporal consegue entregar em minutos a essência das pessoas com a sequência de três pergunta e uma linha do tempo para acompanhá-las. Essas perguntas são capazes de revelar o quão ínfimo são os nossos desejos e aspirações, não importando a época, os conflitos, as batalhas que todos atravessam no decorrer da vida. Elas mudam e que bom que mudam, porque em cada etapa da vida precisamos ressignificar nossos sonhos, ajeitar as ideias e (re)construir o que somos, para atingir o que seremos. É singelo e muito inspirador.