Três pessoas, de diferentes profissões e classes sociais, ficam presas num elevador por algumas horas, e refletem não apenas sobre as suas vidas, mas sobre a Vida em si...
E eis que deparo-me com a extrema responsabilidade de julgar o filme de um grande amigo. Numa situação ainda mais delicada: julgar um filme cujas alterações de roteiro foram acompanhadas mui proximalmente. Mas, tão logo o filme esteja pronto, o seu realizador não é o único "culpado" pelo (in)sucesso do mesmo: o filme está vivo, ele lutará por sua própria justificação existencial...
Paradoxalmente, o filme tem seus momentos mais e menos inspirados justamente quando incorre no existencialismo: no primeiro caso, uma frase espantosamente genial proferida pela personagem da excelente Brenda Helena ["a única coisa que eu sei das coisas é que elas mudam!"]; no segundo, uma mudança de tom súbita que incorre num desfecho abrupto e precipitado, que estraçalha justamente aquilo que o filme tem de mais benfazejo: a exortação às relações humanas, em contraponto à gelidez da urbanização e dos opressores cotidianos empregatícios [que motivam o interessante contraste entre a claustrofobia do elevador parado e as imagens chuvosas das ruas aracajuanas]. Infelizmente, há algo de excessivamente teatral na interpretação do veterano Denis Leão, o que prejudica um pouco a apresentação de seu personagem e que denuncia alguns problemas de montagem no trecho inicial do curta-metragem. Se a aplicação de um idílio sonoro-praiano envolvendo uma concha soa extremamente oportuno, o mesmo também pode ser dito acerca da sutil aparição das cores numa tomada marítima que rima dialogisticamente com alguns comentários formais (e morais) sobre A LISTA DE SCHINDLER. Entretanto, as imagens coloridas que emolduram os créditos finais aparentam uma certa superfluidade, quiçá melhor adequadas a uma seqüência inicial, visto que adéquam-se mais à inserção ambiental coercitiva que à reabertura da vida comum ressignificada após uma experiência potencialmente traumática...
Dentre os méritos mais inauditos do filme, cabe destacar a impressionante adequação actancial de Jadson Alves, que dota o seu personagem - inicialmente tipificado - de uma humanização positivíssima. Pena que ele não tenha mais tempo falado em cena, o que, por sua vez possui uma função "sociológica" não suficientemente abordada nesta versão final do roteiro (a despeito de um tratamento inicial a que tive acesso). Mas aplaudo a guinada humanista, em detrimento da sociologização inicial: as relações ficaram mais orgânicas em seu enfrentamento forçado de convivência enclausurada (vide a seqüência da divisão de chocolate), ainda que a brusca condução da situação final altere o ritmo ordenado da direção. Seja como for, o resultado geral é muito bom. Parabéns, Victor e demais envolvidos! <3 (WPC>)
E eis que deparo-me com a extrema responsabilidade de julgar o filme de um grande amigo. Numa situação ainda mais delicada: julgar um filme cujas alterações de roteiro foram acompanhadas mui proximalmente. Mas, tão logo o filme esteja pronto, o seu realizador não é o único "culpado" pelo (in)sucesso do mesmo: o filme está vivo, ele lutará por sua própria justificação existencial...
Paradoxalmente, o filme tem seus momentos mais e menos inspirados justamente quando incorre no existencialismo: no primeiro caso, uma frase espantosamente genial proferida pela personagem da excelente Brenda Helena ["a única coisa que eu sei das coisas é que elas mudam!"]; no segundo, uma mudança de tom súbita que incorre num desfecho abrupto e precipitado, que estraçalha justamente aquilo que o filme tem de mais benfazejo: a exortação às relações humanas, em contraponto à gelidez da urbanização e dos opressores cotidianos empregatícios [que motivam o interessante contraste entre a claustrofobia do elevador parado e as imagens chuvosas das ruas aracajuanas]. Infelizmente, há algo de excessivamente teatral na interpretação do veterano Denis Leão, o que prejudica um pouco a apresentação de seu personagem e que denuncia alguns problemas de montagem no trecho inicial do curta-metragem. Se a aplicação de um idílio sonoro-praiano envolvendo uma concha soa extremamente oportuno, o mesmo também pode ser dito acerca da sutil aparição das cores numa tomada marítima que rima dialogisticamente com alguns comentários formais (e morais) sobre A LISTA DE SCHINDLER. Entretanto, as imagens coloridas que emolduram os créditos finais aparentam uma certa superfluidade, quiçá melhor adequadas a uma seqüência inicial, visto que adéquam-se mais à inserção ambiental coercitiva que à reabertura da vida comum ressignificada após uma experiência potencialmente traumática...
Dentre os méritos mais inauditos do filme, cabe destacar a impressionante adequação actancial de Jadson Alves, que dota o seu personagem - inicialmente tipificado - de uma humanização positivíssima. Pena que ele não tenha mais tempo falado em cena, o que, por sua vez possui uma função "sociológica" não suficientemente abordada nesta versão final do roteiro (a despeito de um tratamento inicial a que tive acesso). Mas aplaudo a guinada humanista, em detrimento da sociologização inicial: as relações ficaram mais orgânicas em seu enfrentamento forçado de convivência enclausurada (vide a seqüência da divisão de chocolate), ainda que a brusca condução da situação final altere o ritmo ordenado da direção. Seja como for, o resultado geral é muito bom. Parabéns, Victor e demais envolvidos! <3 (WPC>)