Pedroso atinge um limite nesse curta. Um não, vários, e por conta disso que o vimos nada mais é do que uma disputa para se documentar uma classe social tão auto-enclausurada.
Adepto da nova cena documental pernambucana, Marcelo Pedroso tem como principal característica dar significados através de uma montagem feita a partir da coleta de tomadas capturadas por terceiros. Com o intuito de filtrar as imagens que reflitam da forma mais pura o retrato de uma realidade, seus filmes são construídos seguindo a trilha do acaso e pautados no olhar do outro. O diretor abre mão do controle de misce-en-scene do material registrado para assim chegar a um índice maior de fidelidade do que é registrado. Este seria o ideal do filme documental para muitos teóricos: pouca governabilidade, interferência e roteirização por parte do diretor. Apenas desta forma seria alcançado um resultado que se aproxime do real. Em Câmara Escura, projeto que infelizmente encontra-se proibido de veiculação pública por determinação judicial, a experiência em deixar na porta das casas abastadas do Recife uma câmera gravando ininterruptamente as imagens daqueles que as resgatam, consequentemente, os donos dessas casas, atestam um sintoma de isolamento, fragilidade e paranóias que enfretam os cidadãos ilhados nesses castelos de câmeras, cercas elétricas e advogados. Embora os resultados sejam uma comprovação do que poderia ser esperado, os efeitos imediatos e mediatos, colaboram no sentido de expor uma sociedade que ao mesmo tempo que valoriza a exposição total através de redes sociais, resguarda de forma impiedosa a intimidade quando sua quebra se dá de forma não programada.
Pedroso atinge um limite nesse curta. Um não, vários, e por conta disso que o vimos nada mais é do que uma disputa para se documentar uma classe social tão auto-enclausurada.
Adepto da nova cena documental pernambucana, Marcelo Pedroso tem como principal característica dar significados através de uma montagem feita a partir da coleta de tomadas capturadas por terceiros. Com o intuito de filtrar as imagens que reflitam da forma mais pura o retrato de uma realidade, seus filmes são construídos seguindo a trilha do acaso e pautados no olhar do outro. O diretor abre mão do controle de misce-en-scene do material registrado para assim chegar a um índice maior de fidelidade do que é registrado. Este seria o ideal do filme documental para muitos teóricos: pouca governabilidade, interferência e roteirização por parte do diretor. Apenas desta forma seria alcançado um resultado que se aproxime do real. Em Câmara Escura, projeto que infelizmente encontra-se proibido de veiculação pública por determinação judicial, a experiência em deixar na porta das casas abastadas do Recife uma câmera gravando ininterruptamente as imagens daqueles que as resgatam, consequentemente, os donos dessas casas, atestam um sintoma de isolamento, fragilidade e paranóias que enfretam os cidadãos ilhados nesses castelos de câmeras, cercas elétricas e advogados. Embora os resultados sejam uma comprovação do que poderia ser esperado, os efeitos imediatos e mediatos, colaboram no sentido de expor uma sociedade que ao mesmo tempo que valoriza a exposição total através de redes sociais, resguarda de forma impiedosa a intimidade quando sua quebra se dá de forma não programada.
Cheio de hermetismo com uma técnica demasiado crua. Parte de uma ideia excelente que discute privacidade nesse caos social em que vivemos.
Entrevista com Marcelo Pedroso: