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Manal, Zaki e Mounir estão na faixa dos vinte anos. Vivem em uma comunidade caótica, próxima a um depósito de lixo, onde suas necessidades básicas são minimamente atendidas. Sob esta desordem social, existe uma camada de relações problemáticas, em que se misturam amor, decadência e uma disputa entre Zaki e Mounir pelo amor de Manal. Uma competição cujo resultado será decidido por uma partida de futebol.
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“Caos e Desordem” já tenta fisgar o espectador a partir dos letreiros, com alguns caracteres “dançando” ao som de um brejeiro tema musical. Mas o que vemos a seguir é um lixão e um garoto que cata garrafas sob a vigilância de um “chefe”. Em seguida, o espectador começa a conhecer a comunidade onde irá se passar todo o restante da trama. Trata-se de uma comunidade pobre, que recebe visitas diárias de caminhões, anunciados por um alto-falante, que fazem o abastecimento e em torno dos quais se formam grandes aglomerações de pessoas em busca de seu quinhão. Existe a figura do “chefão”, dono da principal casa comercial da cidade e que exerce seu poder sobre os demais. Sua filha é um dos vértices de um intricado triângulo amoroso que será resolvido de maneira inusitada: uma partida de futebol.
Como um filme-painel, mostrando o cotidiano de uma comunidade pobre, o filme tem seus melhores momentos , tornando a trama central até certo ponto fútil. “Caos e Desordem” mescla o relato da dureza com a leveza de momentos de humor, O narrador de futebol meio entediado cuja voz sai extremamente rouca pelo auto-falante ruim, os chiliques da filha do “chefão” (a bela atriz Ayten Amer) e os anúncios e receitas culinárias veiculados pelo auto-falante são alguns exemplos.
“Caos e Desordem” nos põe em contato com uma realidade que tem muito em comum com a nossa. O resultado final, se não é brilhante, prende o interesse.
Que baderna, que loucura, que esculhambação! Parece uma versão de 'Gangues da Velha Cairo' dirigido pelo cineasta mais bêbado da Boca do Lixo, lidando com a total falta de orçamento. Porém, o talento da diretora estreante em conduzir cenas com multidões demonstra que não é um filme mal-feito, longe disso: é cuidadoso, esquematizado com cuidado (vide a divisão dos meticulosos períodos diários) e frenético. Pena que é difícil entender a estória, tamanha a bagunça. As estórias, em verdade, visto que o roteiro possui a estrutura de filme-painel. Poderia ser melhor, mas empolga nas entrelinhas denuncistas. No mínimo, inusitado! (WPC>)