O destino da investigação obsessiva de dois policiais sobre um misterioso assassinato, que se cruza com o passado obscuro de um famoso músico. Baseado na obra policial de Seichô Matsumoto.
Em mais uma parceria infalível do diretor japonês Yoshitaro Nomura com o escritor de tramas de suspense Seicho Matsumoto, surgia um filme policial marcante dos anos 1970 que na época ficou tão popular quanto à camisa entreaberta do galã Go Kato. Embora tenha recebido inúmeros prêmios e também a aclamação do público, "Castelo de Areia" ainda hoje deixa muitos cinéfilos reticentes por conta do ritmo da intriga e de sua duração. A abordagem no filme da investigação policial joga com a nossa paciência, mostrando ao mesmo tempo inúmeras pistas e teorias do crime nos mínimos detalhes.
Neste raciocínio que buscaria um olhar investigativo verossímil, o exercício da minúcia (sobretudo nas hipóteses equivocadas dos dois detetives principais) foi necessário para se revelar facetas do trabalho policial incomum até então no cinema popular japonês e que singularizou o filme de Nomura em relação a esta tradição já consolidada em Hollywood. Um enredo investigativo misterioso e hermético que se torna cada vez mais fascinante por conta de uma progressão rítmica rigorosa. T. Kawamata (dir.fotografia) enquadra com astúcia paisagens rurais japonesas, atribuindo valor ao espaço geográfico de uma busca que pretende chegar ao detalhe mais preciso do crime a partir de um contexto social.
Dos lugares mais afastados nos quais até a polícia parece se perder, o mistério da trama ganha em profundidade. Inclusive, muitas lacunas nunca foram explicadas. É da genialidade de ultrapassar os limites do gênero fÍlmico e fazer a irrupção do melodrama depois da metade da sessão, como se houvesse outro filme a ser assistido e que estivéssemos diante de uma homenagem ao pai do diretor, Hotei Nomura - cineasta da Shochiku na época do cinema mudo - com uma experiência de orquestra sinfônica inscrita na ficção e nostálgica de uma relação com a imagem que ultrapassa a palavra, criando uma ruptura interessante no filme.
Castelo de Areia é um ótimo thriller policial japonês.
Esse filme do diretor Yoshitaro Nomura é bastante interessante, embora pouco lembrado. Sem os exageros típicos do gênero, pelo contrário, é um filme verossímil em essência, sem floreios e sem rodeios, tocando sempre no que interessa: na construção dos personagens e da investigação.
A longa sequência final de flashbacks paralelamente com trechos de música clássica é algo que deve ser chamado, para dizer o mínimo, de sensacional. Filme que agradaria fãs de Zodíaco e outros filmes do gênero. Muito bom.
Em mais uma parceria infalível do diretor japonês Yoshitaro Nomura com o escritor de tramas de suspense Seicho Matsumoto, surgia um filme policial marcante dos anos 1970 que na época ficou tão popular quanto à camisa entreaberta do galã Go Kato. Embora tenha recebido inúmeros prêmios e também a aclamação do público, "Castelo de Areia" ainda hoje deixa muitos cinéfilos reticentes por conta do ritmo da intriga e de sua duração. A abordagem no filme da investigação policial joga com a nossa paciência, mostrando ao mesmo tempo inúmeras pistas e teorias do crime nos mínimos detalhes.
Neste raciocínio que buscaria um olhar investigativo verossímil, o exercício da minúcia (sobretudo nas hipóteses equivocadas dos dois detetives principais) foi necessário para se revelar facetas do trabalho policial incomum até então no cinema popular japonês e que singularizou o filme de Nomura em relação a esta tradição já consolidada em Hollywood. Um enredo investigativo misterioso e hermético que se torna cada vez mais fascinante por conta de uma progressão rítmica rigorosa. T. Kawamata (dir.fotografia) enquadra com astúcia paisagens rurais japonesas, atribuindo valor ao espaço geográfico de uma busca que pretende chegar ao detalhe mais preciso do crime a partir de um contexto social.
Dos lugares mais afastados nos quais até a polícia parece se perder, o mistério da trama ganha em profundidade. Inclusive, muitas lacunas nunca foram explicadas. É da genialidade de ultrapassar os limites do gênero fÍlmico e fazer a irrupção do melodrama depois da metade da sessão, como se houvesse outro filme a ser assistido e que estivéssemos diante de uma homenagem ao pai do diretor, Hotei Nomura - cineasta da Shochiku na época do cinema mudo - com uma experiência de orquestra sinfônica inscrita na ficção e nostálgica de uma relação com a imagem que ultrapassa a palavra, criando uma ruptura interessante no filme.
Gostei mais da construção que da sua conclusão, que se estende demais e pesa um tom mais melodramático. Mas no geral é bom filme.
Castelo de Areia é um ótimo thriller policial japonês.
Esse filme do diretor Yoshitaro Nomura é bastante interessante, embora pouco lembrado. Sem os exageros típicos do gênero, pelo contrário, é um filme verossímil em essência, sem floreios e sem rodeios, tocando sempre no que interessa: na construção dos personagens e da investigação.
A longa sequência final de flashbacks paralelamente com trechos de música clássica é algo que deve ser chamado, para dizer o mínimo, de sensacional. Filme que agradaria fãs de Zodíaco e outros filmes do gênero. Muito bom.