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Duração
No Afeganistão, Mirvais, adolescente pobre que mora dentro de uma tubulação de esgoto, aceita um emprego incomum: transportar nas costas um menino que perdeu as pernas na guerra. Não demora muito para que o garoto aleijado aproveite de Mirvais, utilizando o rapaz para outras tarefas e tratando-o de forma humilhante e abusiva.
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a complexidade humana no fim do mundo. no final, a sensação é a de que todo mundo tá dilacerado. em uns faltam pernas e em outros faltam corações.
Cruel, duro, sádico e odioso. Esse filme deixa a gente triste, deprê, pra baixo mesmo justamente pelo que aponta: a mais pura desumanização seja da forma, seja do conteúdo (que pra mim é o cerne nervoso, a ferida que sangra) pois que é lá que reside a força da violência imposta a um menino. Ultrajado, humilhado em sua inocência diante de um mundo sem escrúpulos, um mundo repulsivo onde a moeda, a posse, o poder do jugo e do mando subjuga uma infância de todo perdida. A reflexão aqui é apenas a consciência do mundo como dividido entre senhores e escravos, entre os que tudo podem pq tem o poder e a grana e aqueles que são feitos, nascidos apenas para o chicote, a ofensa e a humilhação: eis a humanidades, eis-nos.
Pensando na forma como muitos patrões tratam os empregados, até que a estrutura de poder entre os meninos é bem frequente!
O filme nada mais é que uma amostra do que acontece todos os dias e toda hora no mundo. Ocidente, Oriente, não importa. É o poder econômico que corrompe a alma e o corpo, é a inveja, frustração, que deseja, usa e abusa daquilo que considera seu “por direito”, é a fome e o abandono falando mais alto que a dignidade. Quantos Mirvais e meninas “mendigas” existem por aí? Verdade que nem mesmo a bela fotografia consegue aliviar essa premissa. Um filme duro, cruel, mas realista e que levanta vários questionamentos, mesmo que não concordemos com a forma que o roteiro e a direção conduziram a história.
Acho engraçado como filmes que tratam da degradação humana são automaticamente tratados como filmes de arte.