Filmado inteiramente em locações no Novo México, em Calabazas (Califórnia) e principalmente nos belos e gigantescos cenários naturais de Sedona (Arizona), “Golpe de Misericórdia” conta a história de Wess McQueen (Joel McCrea) homem simples que se afastou da lei e terminou na cadeia, de onde consegue escapar, fugindo para o Território do Colorado (antes de tornar-se Estado da União em 1876). Em seu caminho passa pelo Desfiladeiro da Morte, lugar envolto em lendas e misticismos. McQueen que fora preso por assalto e assassinato, junta-se então a uma quadrilha para praticar um último assalto a um trem que transporta 100 mil dólares.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
*Colorado Territory* (1949), clássico do *western* dirigido por Raoul Walsh, desdobra-se como um estudo melancólico sobre a impossibilidade da lealdade em um mundo à beira do colapso. A narrativa acompanha um fora da lei experiente que busca reescrever seu destino ao lado de antigos conhecidos, esperando encontrar refúgio na promessa de um recomeço. No entanto, a atmosfera da película é densamente marcada pela sombra corrosiva da traição, que se infiltra não apenas nas relações interpessoais, mas na própria promessa da fronteira americana. Os laços de camaradagem e amizade que sustentam o bando revelam-se frágeis diante do medo, da conveniência e da pressão implacável da lei. Walsh constrói uma tensão palpável onde cada olhar suspeito e cada aliança provisória sugerem que a quebra de confiança é apenas uma questão de tempo. A paisagem árida do oeste reflete perfeitamente esse deserto moral, onde a solidão do protagonista é agravada pela certeza de que a lealdade genuína é um luxo inacessível. As figuras que cruzam o caminho do herói operam como espelhos de suas próprias vulnerabilidades, evidenciando que a maior deslealdade pode vir da própria ilusão de que se pode escapar do passado. Sem recorrer a reviravoltas óbvias, o roteiro mantém o espectador em constante sobressalto, antecipando o momento inevitável em que as máscaras sociais caem. A traição, portanto, deixa de ser mero artifício de enredo para se tornar o tecido conjuntivo de toda a sociedade retratada. No fim, a obra transcende a aventura convencional ao expor que a verdadeira tragédia do homem fora da lei não é a perseguição policial, mas a solidão absoluta de não poder confiar em ninguém.
a segunda metade é o que faz o filme ser muito bom, pois a primeira achei insossa.
“Seu Último Refúgio” em versão faroeste e com ótimas cenas de perseguição, como é de praxe no cinema de Raoul Walsh.
Quantas camadas de interpretação e imersão! Adentrei a sessão sem saber nada sobre a sinopse, e fui arrebatado logo no começo, pois o protagonista tem o mesmo nome que eu - e é interpretado pelo Joel McCrea, meu galã hollywoodiano favorito. Apesar de obedecer rigorosamente às convenções do gênero faroeste (que ótimas, as cenas em trens), a envergadura 'noir' é muito bem inserida, de modo que foi somente no desfecho que eu percebi que tratava-se de uma regravação - melhorada ao extremo - de SEU ÚLTIMO REFÚGIO, do qual não gosto muito. A temática da traição aparece como subtexto fortíssimo na narrativa, e Virgina Mayo está em estado de graça, mui expressiva e linda. Os enquadramentos naquele cenário opressor - porque vasto demais - são sublimes. Filme de adulto, primoroso, senti-me um grande macmahonista ao conferi-lo! (WPC>)
Boa parceria do diretor Raoul Walsh com o ator Joel McCrea, com um final bem diferente de outros filmes, o protagonista tenta uma redenção, mas que acaba pagando caro pelo seu passado junto com sua comparsa do assalto a trem e atual companheira, mas no fim todo sacrifício valeu a pena, pelo que pareceu, todo o dinheiro ficou com o irmão Thomas para reconstrução da igreja abandonada, enfim, gostei mais da versão com Humphrey Bogart. Visto em 13/07/2026