Depois da polémica saída do apresentador Conan O’Brien da NBC, onde estava há 22 anos, ele tinha 6 meses de contrato que lhe impediam de aparecer na TV, rádio e Internet após o seu último programa. Nesses 6 meses, o cómico apresentador dedicou-se a fazer espectáculos em 32 cidades dos EUA, e foi com base nessa “Legally Prohibited From Being Funny on Television Tour” que resultou este documentário.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Amo o Conan ainda mais depois de ver esse documentário.
Até hoje eu não sei qual foi a "piada" que fez o Conan ser demitido. Alguém?!
Muito bom o documentário!
Conan O’Brien é um cara extremamente cativante. Ele começou como um roteirista do humorístico Saturday Night Live, escrevendo e participando de pontuais esquetes do programa; passou três temporadas roteirizando para o seriado The Simpsons e finalmente substituiu David Letterman como apresentador do Late Night da NBC (o talk-show número dois da emissora) depois da aposentadoria do lendário Johnny Carson, que deu lugar a Jay Leno, para a insatisfação de Letterman que rumou direto para a CBS. Alto e de estranha aparência ruivo-irlandesa, O’Brien é um palhaço; ele efetua imitações de poucos segundos, emprega exagero ao emitir uma piada previsível e é ocasionalmente genial na composição de suas piadas e trocadilhos, além de colocar seu físico desconjuntado totalmente em prova ao desempenhar suas rotinas de humor físico e sua incessante sede por entreter - um conjunto de características que nas palavras de Conan O’Brien se reduzem apenas a “divertir”; conceito suficiente o bastante para conquistar o público médio, os entusiastas e profissionais da comédia e os críticos televisivos. Em “Conan O’Brien Can’t Stop” nós acompanhamos a jornada do comediante após deixar o Tonight Show, a mais conceituada franquia televisiva norte-americana que O’Brien conquistou de Jay Leno após quatro anos de espera, para perder em apenas cinco meses. Os arranjos de programação da emissora e a passividade de Leno fizeram com que Conan não aceitasse continuar à frente de seu bem-sucedido programa. Ao deixar a emissora, Conan recebeu cerca de 40 milhões de dólares - quantia que embora muito recompensadora financeiramente, parece não ter feito a diferença para o Conan artista, o Conan palhaço, aquele que não consegue parar, nem mesmo quando é contratualmente impedido de aparecer na televisão, rádio ou internet por sete meses. Sua solução? Aparecer ao vivo, para uma platéia, assim como fazia na televisão, com a diferença de que as únicas câmeras agora seriam as do público e a da equipe deste documentário, que nos confidencia O’Brien em momentos antes e depois do palco, nos dando breves vislumbres de seus shows e principalmente de seus momentos íntimos com sua equipe de roteiristas, seu companheiro de performances Andy Richter e sua assistente Sona Movsesian. Rodman Flender, o diretor do filme, bem como o próprio O’Brien, deixam as coisas transparentes, francas. Conan não se acanha diante da presença íntima da câmera, e Flender não hesita em registrar, por exemplo, a insatisfação do protagonista com a exaustiva atenção que insiste em dar aos fãs (tanto antes quanto depois de seus já exaustivos shows); incômodo que em alguns momentos leva o comediante a culpar sua equipe por permitir tantas pessoas em seu camarim, enquanto noutros o leva a revelar sua própria natureza atenciosa para aqueles que o prestigiam, insistindo, por exemplo, em saldar os fãs e conceder alguns autógrafos mesmo quando aconselhado a não fazer isso e no fundo pouco disposto para tal atividade. Apesar de tudo isso, o Conan O’Brien que vemos neste documentário jamais deixa de ser aquele cara extremamente cativante de quem falei acima; ele é naturalmente engraçado com aqueles ao seu redor; quando faz exigências ou demonstra insatisfação com algo, o faz de forma engraçada, irônica, tirando sarro, contando uma piada - mesmo que seja notável a diferença entre o Conan no palco e o Conan nos bastidores, permitindo assim com que enxerguemos uma figura humana e por isso mesmo ainda mais fascinante do que costuma ser quando vista dos palcos ou da televisão. Conan O’Brien possui uma qualidade que corre em suas veias: a de fazer aquilo que gosta, para grandes públicos ou pequenos públicos. Ele sente a necessidade de organizar tudo aquilo que naturalmente vibra em sua pessoa e transmitir - seja na forma de shows ao vivo, esquetes, episódios, entrevistas ou monólogos de talk-shows - aquilo que podemos facilmente identificar em sua essência: a diversão. Uma que conquista a todos, e que faz de O’Brien um artista indispensável e que por isso mesmo não pode, nunca, parar.