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Apesar de uma vida endinheirada, o jovem Jean Corbo não esquece o que seu pai e avô sofreram durante a segunda guerra mundial por terem origem italiana e viverem no Canadá. Estamos nos anos 60 e a família não se preocupa muito com isso mas ele, sim. Tanto que se junta aos partidários da independência do Québec, supostamente oprimidos por aqueles que falam inglês. Mas o que era um movimento pacífico descamba para a violência e Jean Corbo entra de cabeça no terrorismo.
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Uma assombrosa abordagem da tênue linha que pode separar a militância do fanatismo e levar ao terrorismo. Pra ver e refletir.
Vendo o filme, o que mais me chamou a atenção foi a minha ignorância em relação à história do Canadá. Graças a Hollywood, conheço um pouco a história dos EUA. Mas, com exceção do Brasil, desconheço a história dos demais países do continente. Jamais imaginei que tivesse existido uma luta política tão importante no Canadá.
Outra coisa que me chamou a atenção é que as esquerdas cometem sempre os mesmos erros por falta absoluta de autocrítica. A ausência de democracia interna nos grupos de esquerda é mostrada no filme da seguinte forma. Dois membros da Frente de Libertação de Quebec discordam da posição do líder do movimento e são calados com a ameaça de um fuzil. Os procedimentos nos tribunais mostram que a melhor forma de se aproximar da verdade é mediante o confronto de ideias. Historicamente, as esquerdas fracassaram milhões de vezes por absoluta falta de confronto de ideias. Os regimes socialistas totalitários fracassaram pelo mesmo motivo.
A Frente de Libertação do Quebec foi fundada em 1963. Atos de terrorismo e táticas de guerrilha foram empregados na luta pela separação politica de Quebec da Confederação do Canadá. Houve conquistas importantes. O Partido Quebecois foi fundado em 1968, defendendo o separatismo. Em 1969, o Canadá tornou-se um país bilíngue, satisfazendo os francófonos de Quebec. O Partido Quebecois acabou chegando ao poder e, em 1980, convocou um plebiscito para definir sobre a separação, ou não, de Quebec. A população rejeitou a separação. Em 1995, houve um novo plebiscito. A independência de Québec foi rejeitada por 0,5% dos votos. Hoje, o separatismo parece que perdeu força. Gosto de cinema porque ela nos transporta para mundos tão distantes no tempo e no espaço, abordando temas tão diferentes uns dos outros, sob óticas tão distintas.
A sinopse resume muito bem o que se passa no filme, que é um tanto longo (quase duas horas) e nem sempre tão interessante ao contar a história do jovem Jean Corbo. Mas trata de um assunto que nos anos 1960 chamou a atenção do mundo, e que felizmente hoje em dia parece um tanto esquecido: a rivalidade entre os canadenses de língua francesa (especialmente na provìncia do Quebec) e os de língua inglesa (a maioria do país).
Muito interessante ver eles lidando com a questão da militância mesmo quando envolve a violência.