O filme acompanha um dia de trabalho no Centro de Reciclagem e Desmontagem da BMW, em Munique, para registrar, passo a passo, o estágio final do processo de desmanche de um carro.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Aconteceu algo que desgosto: ficar no meio-termo apreciativo em relação a um filme tão divisivo, que causou reações tão extremas por onde passou, na chave do "ame ou odeie". Gostei muito das comparações e referências que direcionam a esta obra, que faz com um carro o mesmo que Stan Brakhage concede aos indivíduos humanos em O ATO DE VER COM OS PRÓPRIOS OLHOS. O problema: na montagem, acompanhamos a dissolução do objeto, de um lado; do outro, testemunhamos as mãos e pernas de quem manuseia a máquina que destrói máquinas. Ao optar por esta abordagem, o foco sai do objeto que "morre" para renascer reciclado ou da própria experiência imersiva (sobretudo, em eixo sonoro) da destruição, para abordar uma relação entre ato em si e trabalho, de modo que o que a diretora pretende com o choque das sessões - "em volume máximo, por favor" - soa como um fetiche, para não passa diuturnamente por aquele tipo extenuante de atividade. Como proletário, senti-me agredido pelo olhar exibicionista da diretora, que não permite que o objeto sacrificado se instaure como tal: é apenas mais um componente na ansiedade por incomodar, tornar-se manchete nos festivais por onde passa, estimular as efêmeras e agressivas brigas do FilmTwitter. Quando o ângulo da câmera está naquilo que é anunciado pela onomatopeia titular, o filme se engrandece; quando a edição revela que a diretora está ciente de que aquele não é o seu cotidiano, e que só é "divertido" porque isolado do contexto, soou-me uma declaração involuntária (?) dos privilégios de classe dos envolvidos. Daí, o meu empasse: gosto do filme, mas não do que ele representa, enquanto discurso. Pendo mais para qual lado, na contenda (WPC>)