Após engravidar do herdeiro de um rico aristocrata inglês, Belinda (Kay Francis) é pressionada a deixar o país e o filho para ser criado pelo pai e a madrasta. Os fantasmas de suas decisões serão reavivados quando um possível reencontro entre as partes se torna iminente.
Melodrama clássico de qualidade hollywoodiana em que Kay Francis tem sua imagem reinventada assim como ocorreu com Jean Harlow, Myrna Loy, Lupe Velez e várias estrelas da época. Quando o Código Hays (código de censura contra as produções cinematográficas americanas) foi exigido em toda a sua plenitude a partir de 1934, as carreiras de várias atrizes tiveram que ser reinventadas, caso contrário seus filmes seriam vetados a exibição. Adultério, exposição do corpo, piadas de duplo sentido eram proibidas e a Warner teve que reordenar os seus roteiros e os padrões de suas estrelas para andarem em conformidade as regras restritivas e ao mesmo tempo evitar a debandada dos seus fãs. A irreverente Kay Francis muda da água para o vinho indo de papeis como a inquieta e lasciva Teri de Ladrão Romântico (1933) para a doce e sofredora-por-merecer Belinda de Dá-me Teu Coração (1936). Enquanto a primeira aproveitava o mundo a cada instante usando os homens e as oportunidades unicamente para sua satisfação, a segunda personagem mostra uma mulher apaixonada que engravida de um aristocrata inglês já casado e que, reconhecendo sua 'culpa', aceita mudar-se para os Estados Unidos e deixar seu filho ser criado pelo pai e a madrasta. Aqui o adultério cometido pelo homem tem seus efeitos revertidos para a mulher a qual sofre ameças em relação a sua idoneidade moral e arca com as consequências de um ato que, por sua parte, seria legítimo. Muito boa interpretação de George Brent e Kay Francis revelando a falta de empoderamento feminino resultando em subserviência aos valores machistas da época.