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Em 2021, 26 objetos do Reino do Daomé deixaram Paris para serem devolvidos ao atual Benin. Como devem ser recebidos estes tesouros artísticos, roubados aos antepassados, num país que se reinventou na sua ausência?
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["Eu caminho
Não pararei mais em cada cruzamento
onde minha humanidade seja desafiada
Não pensarei mais em meu encarceramento
nas cavernas do mundo civilizado
Nunca vou parar.
Eu nunca parti.
Estou aqui
Eu não esqueço.
Não há nada para consertar
Existem os sonhos dos continentes,
o caminho que nos leva até o fim.
Sou o rosto da metamorfose.
Eu me vejo tão claramente através de você
26 não existe.
Dentro de mim ressoa o infinito
Eu caminho
Nunca vou parar."]
Um dos maiores filmes anti coloniais dessa década. A arte como ferramenta de resgate da memória e como arma para uma releitura histórica de um povo.
Maravilhoso! 🧡
Interessante documentário...não sabia desses artefatos que na realidade foram saqueados né? 26/12/25.
Muito boa a discussão do filme.
Ainda assim, mesmo com a devolução de uma ínfima parte dos tesouros roubados pelos colonialista, ficas as feridas da ausência do que isso representava para a identidade dos seus povos.
Dahomey tem uma execução de formato maravilhosa, muito inspirada no "As estátuas também morre" que considero um dos documentários definitivos sobre deportação de obras no período colonial - oriundas da África para o continente europeu. A direção transforma as peças em um evento, que vai da parte silenciosa ou o despertar dessas obras de arte, até uma comissão pública de estudantes que discutem os problemas e as perspectivas futuras com a chegada a Benim de 26 obras de um dos reinados mais influentes do país.
Impressionante abordagem e a edição do documentário começa a tornar suas questões muito profundas, mas sabe exatamente quando se despedir da mesma forma que iniciou. É poético e informativo na mesma proporção. Maravilhoso.
O documentário é fundamental para discutir colonização, antropologia e cultura. Dois momentos me marcaram profundamente:
1. A escravidão linguística
- "Nós, beninenses, não percebemos que os colonizadores nos tornaram escravos de nós mesmos. Nem sequer dominamos nossos próprios idiomas — eu não consigo expressar tudo o que quero no meu idioma ancestral, porque fomos alienados dele. O fon, o nagô e outras línguas deveriam ser a base do nosso sistema educacional, mas aprendemos nossa própria cultura em francês. Falo francês, mas não sou francesa: sou de Abomei."
2. A hipocrisia pós-colonial
- "Vivemos em um país de hipocrisia: as jovens dizem temer os símbolos sagrados do Vodum, mas 95% da população o praticava antes da imposição do cristianismo. Por que esse medo? O que nos roubaram foi mais que obras de arte — foi a alma de um povo, sua capacidade de se orgulhar de sua essência. Precisamos ressuscitar o que foi morto."